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Thomaz Bellucci, o número 1 do Brasil

Thomaz BellucciThomaz Bellucci no Sony Open (Foto: Divulgação)

Ele já enfrentou feras como Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Surpreendeu os fãs de tênis pelo mundo com uma técnica apurada e um belo estilo de jogo. Não é à toa que Thomaz Bellucci é o tenista número 1 do país.

E ele sabe que não é fácil ser um atleta no Brasil. Em especial no tênis, um esporte individual, de erros, acertos e, principalmente, derrotas.

Considerado por muitos um cara tímido e de poucas palavras, Thomaz se sentiu em casa e bateu um super papo com o Tennis Report, durante o Sony Open, em Miami.

Como o esporte surgiu em sua vida?
Thomaz Bellucci - Desde que eu nasci, praticamente. Meus pais jogavam tênis e, com uns 3 ou 4 anos, eu já brincava com a raquete. Mas só comecei a fazer aula quando completei 8 anos de idade. Além do tênis, eu fazia outros esportes, inclusive futebol.

Quando decidiu que queria ser profissional e pensou: “é isso que quero pra minha vida”?
Thomaz Bellucci - A partir dos 15 anos comecei a levar o esporte a sério, treinava bastante de manhã e à tarde, mas ainda não tinha certeza se eu poderia ser um tenista profissional. Com 18 anos tive certeza de que eu não queria fazer nenhuma faculdade e que meu negócio era o tênis, mesmo.

Qual a importância de uma formação desde cedo no esporte?
Thomaz Bellucci - Pra mim foi muito importante. O esporte me ensinou coisas que uma criança ou um adolescente que só frequentam a escola, muitas vezes não aprendem. Você ganha disciplina, competitividade e respeito pelo adversário. O tênis não te traz só dinheiro e fama. É um esporte de muita lealdade e honestidade, onde é fundamental saber perder.

A gente sabe que ninguém trabalha sozinho e que por trás de todo atleta existe uma grande equipe. Quem faz parte do seu staff hoje? Como eles realizam esse trabalho e qual a importância de cada um no seu dia-a-dia?
Thomaz Bellucci - É muito importante ter uma equipe capacitada e de confiança. Sem minha equipe eu não chegaria a lugar nenhum. É um investimento necessário. Às vezes viajo com três pessoas, entre eles meu técnico e meu preparador físico. Estamos sempre trabalhando, não podemos deixar a peteca cair!

O esporte exige muita disciplina. Muitas horas de treino, dentro e fora da quadra. O calendário da ATP é extenso e, para alguns, muito cansativo. Você acorda num país e vai dormir em outro. Como administrar treino, dieta, diferenças de fuso horário, clima, altitude e também os tipos de piso que variam a cada temporada?
Thomaz Bellucci - Não é nada fácil! São 30 torneios por ano. Como no Brasil não temos muitas competições, sempre vamos a lugares distantes. É muito fuso horário: um dia na Ásia, outro nos Estados Unidos, outro na Europa. Tem que descansar e treinar nas horas certas, comer direito, dormir cedo e chegar com antecedência nos lugares pra ir se acostumando e estar recuperado pros jogos. E ter muita disciplina, sempre.

Quais os momentos mais marcantes de sua carreira até agora?
Thomaz Bellucci - Meu primeiro título, em Gstaad 2009, foi muito especial! Ganhar em alto nível num torneio grande foi a realização de um sonho. Copa Davis, pra mim, é sempre especial também. Toda vez que entro na quadra, tento fazer o meu melhor e saio muito chateado quando não consigo uma vitória. Disputar um Grand Slam também está na lista dos momentos mais marcantes.

Thomaz BellucciThomaz Bellucci e o primeiro título em Gstaad (Foto: Divulgação)

Todos os tenistas brasileiros dizem que jogar a Copa Davis é algo especial, não só por representar o país, mas também pelo espírito do trabalho em equipe, pela competitividade e pelo apoio incondicional da torcida. Você acha que, nesse momento, o tênis se assemelha ao futebol?
Thomaz Bellucci - Acho que, em alguns países, sim. O Brasil tem um time muito unido e valoriza o trabalho em equipe. A gente nunca joga sozinho. Muitas vezes ganhamos um jogo, mas por trás existe uma equipe inteira. Nos últimos anos recebemos muito apoio da Confederação Brasileira de Tênis e isso foi muito importante pra unir ainda mais a equipe. Todos estão muito comprometidos e o objetivo é levar o Brasil a um lugar cada vez mais alto na competição. Quando os jogadores dão cem por cento de si na quadra, consequentemente a torcida é maior. Os brasileiros sempre nos apoiam, lotam os estádios. Em Rio Preto, por exemplo, tinha muita gente torcendo. Então nada mais justo do que retribuir todo esse carinho com uma boa atuação dentro da quadra.

Copa DavisCopa Davis (Foto: Divulgação CBT)

A cobrança da torcida brasileira é muito grande por não termos um ídolo nacional nas quadras há alguns anos. Você é considerado o quarto melhor tenista da história do país, atrás apenas de Thomas Koch, Fernando Meligeni e Guga Kuerten. Como você lida com essa pressão dos brasileiros?
Thomaz Bellucci - Você se acostuma com o tempo. No começo me incomodava muito mais. Hoje em dia consigo lidar bem com essa cobrança, tanto dos torcedores quanto da imprensa. Acho um absurdo me compararem com o Guga e exigirem que eu tenha resultados semelhantes aos dele. Ele é um ídolo e dificilmente vai existir outro jogador brasileiro com a mesma carreira brilhante que ele teve. A única pressão que tenho, hoje, é melhorar meu desempenho em quadra e corresponder às expectativas da minha equipe. Deixo muita coisa de lado na vida pessoal pra me dedicar aos torneios, então essa cobrança não é mais um peso nas minhas costas.

Thomaz Bellucci e GugaThomaz e Guga (Foto: Divulgação CBT)

A torcida, inclusive, te vaiou após a derrota pro Fillipo Volandri na segunda rodada do Brasil Open este ano. O que passou pela sua cabeça nesse momento? Você acha que vaias fazem parte do esporte?
Thomaz Bellucci - É preciso saber lidar com qualquer tipo de crítica, especialmente no Brasil, onde as pessoas são mais exigentes não só no tênis mas, principalmente, no futebol. Elas exageram um pouquinho, mas é normal. Não fiquei chateado, fiquei frustrado por não conseguir corresponder às expectativas da torcida, por não ter jogado um bom tênis. Sempre dou o meu melhor, então não é legal sair de uma partida assim. Não quero que ninguém entenda nosso sacrifício na quadra, nem gosto de ficar dando explicações ou inventando desculpas. Simplesmente aceitei as vaias.

Você é uma pessoa tímida, geralmente de poucas palavras e isso faz com que muita gente confunda seu lado introspectivo com arrogância e frieza. Aliás, todos os tímidos passam por isso. Como você lida com essa imagem?
Thomaz Bellucci - É completamente normal. As pessoas, às vezes, julgam pela aparência e pelo que faço dentro da quadra. São coisas diferentes. O que sou na quadra não tem muito a ver com o que sou no dia-a-dia e o público faz uma certa confusão com relação a isso. Mas, sempre tento mostrar que não sou tão arrogante nem tão antipático assim (risos). Sou apenas um pouco reservado.

Por falar em cobranças, derrotas, timidez e pelo fato do tênis ser um esporte individual que exige muito do lado mental, qual a importância da psicóloga Carla di Pierro e como está sendo essa parceria?
Thomaz Bellucci - Ela tem me ajudado bastante! Além do jogo, tento melhorar meu lado psicológico a cada dia. Não existe um limite pra isso. Mesmo quando estou ganhando muitas partidas e jogando bem, sempre preciso do apoio dela. Estamos trabalhando juntos há um ano. É uma parceria que está dando certo.

A moda sempre fez parte do tênis. Além das jogadas incríveis, os uniformes e os acessórios são um atrativo à parte. Qual a importância de um visual legal nas quadras?
Thomaz Bellucci - O tênis é um esporte de muita classe. Há muitas marcas fortes lançando novidades e materiais muito bons no mercado. Além de serem roupas esteticamente muito bonitas são também bastante confortáveis, pra você não sentir dificuldade na hora de jogar.

Confessa pra gente, Thomaz: você é vaidoso?
Thomaz Bellucci - Ah, não sou muito vaidoso, não! Não sou daqueles metrossexuais que ficam uma hora e meia na frente do espelho. Sou normal (risos).

Por falar nisso, como é sua relação com a adidas? De todos os uniformes criados pra você, tem algum preferido ou que te marcou em algum momento?
Thomaz Bellucci - A adidas é uma marca muito legal que me veste há uns 3 ou 4 anos já. Mesmo fora da quadra, as roupas são muito bonitas e vestem bem. Não gosto de peças feias, não! (risos) Acho que, se uma empresa que não trabalhasse com um visual e uma estética bacanas quisesse me patrocinar, eu não usaria, não! Meu uniforme preferido é um em tons de verde por causa do Palmeiras! (risos). Não gosto de roupas muito chamativas, sempre uso cores mais discretas, gosto muito de usar branco.

Thomaz BellucciThomaz e o uniforme preferido (Foto: Divulgação)

Você está usando um relógio muito bacana da Girard-Perregaux. Inclusive muitos tenistas são patrocinados por marcas conceituadas e sempre quando terminam uma partida correm pra vestir o relógio. Um bom relógio é a jóia do homem?
Thomaz Bellucci - Muita gente diz que sim, né? O tênis é um esporte muito elegante. Veja o Roger Federer! Ele é patrocinado por uma super marca suíça (Rolex) há muitos anos. Acho que tem tudo a ver!

Thomaz BellucciThomaz na festa do Instituto Tênis em Miami (Foto: Girard Perregaux)

Conta pra gente de onde veio o apelido de Sid, o personagem do filme “Era do Gelo”. Aliás, até a imprensa internacional costuma te chamar, às vezes, de Sid Bellucci, sabia?
Thomaz Bellucci – É mesmo? Não sabia! (risos). O apelido quem deu foi o Marcelo Melo. Ele diz que eu sou a cara do Sid! Mas eu não acho, não! (risos).

Sid - A Era do GeloSid - A Era do Gelo (Foto: Divulgação)

Pra finalizar, como é o Thomaz hoje e o que você ainda leva daquele menino do interior, cheio de sonhos e amor pelo tênis?
Thomaz Bellucci - Minha essência e minha personalidade continuam iguais, não vão mudar nunca. Mas, hoje, sou uma pessoa muito mais madura, mais preparada, não só pro tênis mas também pra vida. O esporte me deu muita bagagem, é preciso amadurecer muito rápido, afinal com 30 anos você já tem que ir pensando na aposentadoria.

E os planos pro futuro? Até onde você quer chegar?
Thomaz Bellucci - Tenho muitos sonhos pela frente. Mas, a curto prazo, é estar entre os quinze ou vinte do mundo. É uma meta. Enquanto eu não conseguir, não vou estar satisfeito.

Muito obrigada pela entrevista, Thomaz! O Tennis Report deseja boa sorte e uma longa carreira pela frente! Conte sempre com a nossa torcida!

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