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Um bate-papo com Tiago Lopes

 Tiago Lopes jogo 2Tiago Lopes no Häfele Clube Curitibano Open de Tênis, torneio da Série Future (Foto: Marcelo Krelling)

Ele entrou para o circuito da ATP em 2004, destacou-se nas duplas em torneios Future, onde conquistou quatro títulos ao lado de Eric Gomes e um em parceria com Caio Zampieri.

Após uma temporada na Itália, voltou ao Brasil e hoje se dedica à carreira de simples. Neste ano, obteve resultados significativos em torneios Future e Challenger e é um dos atletas do Clube Esportivo Helvetia, em São Paulo.

O Tennis Report bateu um papo com Tiago Lopes, um dos representantes do tênis brasileiro, sobre carreira, lesões, treinamento e o atual cenário do esporte no país. Confira!

Você morava no Rio, voltou pra São Paulo e hoje faz parte da equipe de atletas do Clube Helvetia. Como surgiu essa parceria e como é sua rotina de treinos?
Tiago - Morei no Rio por 5 anos, mas sou de São Paulo e, por conta das viagens, acabei voltando pra casa e treino no Helvetia desde março. Aqui eu tenho tudo que um atleta precisa: preparação física, quadras, fisioterapia e psicologia. Chego às 8 da manhã pra fazer fisio e ao longo do dia sigo uma rotina que termina às 18 horas. 

Recentemente você sofreu uma lesão no punho e no começo do ano passou por uma cirurgia de apendicite que o afastou das quadras. Como está seu cronograma de torneios agora e que avaliação você faz da temporada 2013?
Tiago - Sou profissional há 10 anos e 2013 foi um ano totalmente atípico na minha carreira por conta da cirurgia que me obrigou a parar por 3 meses. Depois fui pra Europa pra ter uma experiência de interclubes na Itália que foi muito bom, mas também me distanciou dos torneios ATP. Em agosto voltei a jogar pelo circuito, mas sofri essa lesão no IS Open, Challenger realizado no Helvetia há duas semanas e agora estou trabalhando pra me recuperar e seguir com o calendário até o fim do ano.

Quem faz parte da sua equipe hoje?
Tiago - Meus treinos são supervisionados pelo André Watanabe e pelo Eric Gomes. Além deles, também conto com a ajuda de dois treinadores do clube, o Gabriel e o Gilmar. No preparo físico quem me auxilia é o Mauricio Fonseca, a fisioterapia é feita pelo Ricardo e pelo Elton do NUCRE (Núcleo de Reabilitação Esportiva) e o trabalho mental faço com o Tadeu Wagner, que viaja comigo para os torneios.

O trabalho mental é tão importante quanto os treinos físicos para um tenista?
Tiago - Acho que é importante haver um equilíbrio e cada jogador tem uma necessidade. Hoje já tenho uma base física e técnica muito consolidada por acumular muitas horas de treinamento. Por isso busquei o trabalho mental pra melhorar a parte psicológica, que é algo fundamental pra se jogar tênis.

Tiago Lopes fisioTiago na fisioterapia: trabalho de prevenção de lesão supervisionado por Ricardo dos Santos (Foto: Arquivo Pessoal)

Ele já foi seu parceiro de duplas e hoje faz parte de sua equipe como um de seus técnicos. Fale um pouco sobre essa grande parceria com Eric Gomes.
Tiago
 - É muito bom ter o Eric ao meu lado. Além de ser meu amigo, ele é diferente dos treinadores que estão há mais anos no mercado por ainda ter uma visão de jogador e ter saido recentemente do circuito. Como foi profissional por muitos anos, o Eric me entende muito bem.

Quais os melhores momentos de sua carreira até hoje?
Tiago – O Eric e eu tivemos um grande ano como duplistas. Houve um bom entrosamento e uma ótima parceria, algo fundamental quando se joga duplas. Conquistamos 8 torneios juntos e, nessa época, alcancei meu melhor ranking que foi 230. Em simples fiz 15 finais de torneios, mas acho que a primeira final que você faz num torneio ATP te dá uma sensação diferente. Ganhar o primeiro torneio é algo muito bom, você ganha confiança pois sabe que está jogando num bom nível. Meu primeiro título foi muito especial na minha carreira.

Tenistas costumam treinar juntos muitas vezes. Com quem você geralmente divide as quadras pra se preparar para um torneio e como é serem concorrentes e, ao mesmo tempo, parceiros de treino?
Tiago - É complicado! Uma coisa é ser amigo fora da quadra e isso todos somos. Dentro dela é outra história. São raras as vezes em que um jogador troca experiências e transmite algo pro outro durante o treino porque cada um se fecha muito com sua própria equipe. Por mais amigo que seja dificilmente alguém vai dizer em que você precisa melhorar por mais que saiba. Ultimamente tenho jogado com o Thomaz Bellucci e outros tenistas que vêm treinar no clube.

Bruno Soares acaba de atingir o melhor ranking da carreira (terceiro do mundo) e de se tornar o melhor duplista na história do tênis brasileiro. Você, que já foi duplista, acha que hoje tanto pelos feitos do Bruno quanto pelos do Marcelo, além dos resultados do André Sá e do recente título do Thomaz Bellucci nas duplas em Stuttgart, o Brasil faz jus ao apelido “país das duplas”?
Tiago - Estamos vivendo um momento muito forte nas duplas com o Bruno e o Marcelo, especialmente pelo fato de não estarem jogando juntos. Formaram-se duas duplas muito boas. O Bruno hoje ser o terceiro melhor do mundo é algo histórico e reforça essa fase do nosso país no tênis. Mas o Brasil também é o país do Guga, que foi número 1 do mundo em simples, e também é o país do Thomaz, que foi 21 do ranking. Há muito potencial para termos bons jogadores de simples. Vivemos um momento de duplistas, mas prefiro chamar o Brasil de país “singlista”.

Tiago Lopes equipe
Tiago e sua equipe no Clube Helvetia (Foto: Arquivo Pessoal)


Por falar nisso, por que você acha que hoje não temos nenhum tenista entre os cem melhores do mundo no ranking de simples?

Tiago - São vários os fatores que levam um jogador ao Top 100, que fazem com que ele permaneça ali e que o tiram desse ranking. O principal é a formação de base. O amadurecimento do brasileiro é mais tardio e o tênis hoje exige que um jogador de 20 anos tenha uma maturidade muito maior do que ele normalmente tem. Talvez por isso os brasileiros fiquem um pouco atrás dos tenistas de outras nacionalidades e culturas como a europeia e a norte-americana. É preciso acreditar pois temos muitos jogadores com potencial para estar entre os cem do mundo com uma idade mais avançada. Temos como exemplo o Marcos Daniel, que alcançou o melhor ranking da carreira aos 28 anos. Nossos tenistas precisam se unir mais, treinarem mais juntos. Veja a Argentina, que tem mais jogadores no Top 100. Lá, num mesmo clube, 3 ou 4 tenistas desse ranking dividem as quadras e sempre combinam os treinos coletivos com seus técnicos. Aqui os atletas se fecham muito com suas equipes, em suas academias e acabam não tendo essa interação que é tão importante para todos pois a troca de informação acontece em ambos os lados. Por ser tão grande, o Brasil então acaba tendo grupos de tenistas: o grupo do Rio, o de São Paulo, o do Rio Grande do Sul e muitos outros que acabam sempre ficando apenas em sua região.

O número de torneios e grandes eventos de tênis têm crescido significativamente no país. Você acha que o esporte está se popularizando ou as grandes empresas e patrocinadores estão investindo mais em outros esportes que não o futebol?
Tiago - O tênis ganhou muito espaço no Brasil. As pessoas estão entendo melhor, gostando mais do esporte e entendo o quanto ele é difícil e intrigante. Um dos reflexos disso é a quantidade maior de torneios e investimentos. Quanto mais e maiores os torneios, melhor pra nós jogadores, por termos um custo mais baixo e jogarmos em casa. A mídia também é responsável pela popularização do esporte. Mais jogos são transmitidos pela TV e mais pessoas têm visto, o que atrai mais patrocinadores.

Por falar em patrocínio, você tem parceria com a Asics?

Tiago - Tenho um acordo com a Asics. Eles me ajudam com um special prize de roupas e acabei de fechar um patrocínio com a Prognum, uma empresa carioca. Conseguir patrocínio não é fácil pois há muita publicidade em torneios grandes, mas não há visibilidade suficiente nos campeonatos intermediários. Então é mais difícil você vender uma marca.

O tênis envolve estilo, moda e vaidade, dentro e fora das quadras. Você se preocupa com o visual?

Tiago - Sou vaidoso, sim! Hoje eu não fiz a barba, mas é algo atípico. O tênis exige uma certa postura com relação aos uniformes, como é o caso de Wimbledon, onde só se joga de branco. É um esporte que exige certa vaidade, mas é preciso tomar cuidado e ter um certo equilíbrio pro ego não crescer demais (rs).

Tiago Lopes jogoTiago em ação no Häfele Clube Curitibano Open de Tênis (Foto: Marcelo Krelling)

 

Quais os conselhos que você dá pra crianças e jovens que têm o sonho de serem profissionais do esporte?
Tiago - Toda criança que tiver potencial deve buscar um centro de treinamento com estrutura profissional que ofereça suporte na parte física, psicológica e nutricional. E o principal: acreditar! Porque os brasileiros têm potencial para estarem entre os melhores do mundo.

Quais os planos pra próxima temporada?
Tiago - Minhas expectativas são muito boas pra 2014, principalmente por ter ficado um bom tempo sem jogar. Esse fim de ano e o começo da próxima temporada são muito importantes e estou com uma perspectiva muito boa para disputar torneios maiores. Como eu não tenho pontos pra defender, o objetivo é pontuar e conseguir, até a metade do ano, o melhor ranking da minha carreira.

Veja também a entrevista em vídeo:

Boa sorte, Tiago! Conte sempre com a nossa torcida!

Agradecimentos à TV Tenista www.tvtenista.com.br e ao Clube Esportivo Helvetia http://home.clubehelvetia.com.br

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