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A histórica temporada de Bruno Soares

 DSCN4830Bruno recebe os fãs e a imprensa em São Paulo (Foto: Ariana Brunello) 

Fim de ano, término de temporada, férias das quadras... mas não do tênis. Bruno Soares mal voltou de Londres, onde disputou o ATP Finals na última semana, e já deu uma paradinha em São Paulo, onde recebeu os fãs para uma tarde de autógrafos. O Tennis Report aproveitou a visita do melhor duplista da história do Brasil e bateu um super papo com o atual número 3 do ranking mundial.

Bruno era só sorrisos! Afinal, além do carisma e da simpatia de sempre, motivos não faltam para comemorar uma temporada histórica e inesquecível tanto para ele quanto para o tênis brasileiro. Os títulos, as conquistas, o ranking, a parceria de sucesso com Alexander Peya, a rivalidade e a amizade com os irmãos Bryan, o tênis brasileiro, as novas parcerias com a Asics e a Estácio, os planos pra 2014 e a expectativa para o Rio Open. Confira!

No começo do ano você traçou algumas metas pra essa temporada: vencer um Grand Slam, um Masters 1000, chegar ao Top 10 e ao ATP Finals. Qual o saldo que você tira de 2013?
Bruno – Atingi 3 desses objetivos, na verdade 3 e meio. Quando o Alex e eu começamos a jogar juntos tivemos resultados muito expressivos. No início dessa temporada, a gente acreditava muito no nosso potencial e que poderíamos chegar lá. Mas até isso acontecer é um passo muito maior. Hoje, encerrada a temporada e fazendo um balanço, foi um ano muito bacana que mostrou que temos condição de jogar no mais alto nível. Os números desse ano mostram que não tivemos nenhum período ruim, jogamos bem em todas as condições e todos os pisos: ganhamos 5 títulos, chegamos a várias finais, 16 semifinais e nos tornamos a segunda melhor dupla do mundo. Foi uma temporada fantástica!

Há cerca de dois anos você ganhou títulos importantes de Masters e Grand Slams, subiu no ranking e entrou pra história do tênis brasileiro por ser o melhor duplista do país. Como você avalia sua carreira hoje? Esperava chegar aonde chegou?
Bruno – Essa é uma meta que você não planeja, acontece em razão dos resultados. Depois do US Open soube que eu seria o número 3 do mundo e foi um momento muito especial e diferente. Não foi como conquistar um título ou ganhar um jogo. Foi numa segunda-feira, eu estava em casa, acordei e pensei: “pô, sou o número 3 do mundo!”. Você começa a pensar na carreira e é algo surreal. Esperar chegar onde cheguei, eu até esperava. Mas acreditar nisso é difícil. Cada vez você vai chegando mais perto e pensa que pode conseguir. E nesse ano foi tudo muito rápido. É muito bacana saber das pessoas que vieram atrás de mim nessa lista: Cássio Mota, Carlos Kirmayr, Jaime Oncins, todos que jogaram duplas e até o pessoal de simples! Ter meu nome ao lado de Guga, Meligeni, Saretta e todos que fazem parte dessa lista de tenistas brasileiros. Só do meu nome estar ali já é muito especial e, hoje, figurar como o melhor brasileiro de todos os tempos nas duplas é a realização de um sonho enorme.

Você sempre disse que seu trabalho e suas conquistas são por etapas. Mesmo com os irmãos Bob e Mike Bryan tendo uma grande vantagem de pontos à frente no ranking, é uma meta sua e do Alexander Peya serem os melhores do mundo?
Bruno – É uma meta, mas a curto prazo acho impossível. Até porque pela quantidade de pontos, a gente não conseguiria alcançá-los antes de Wimbledon. Só por aí a gente já vê o quanto é difícil, teríamos que ganhar tudo. Mas passa a ser um objetivo pois chegamos a número 3, então o próximo passo é ser número, já que número 2 não existe pois eles jogam juntos. É algo que precisamos construir ao longo dos próximos meses ou até temporadas. Primeiro temos que nos firmar no alto nível que chegamos, sempre alcançar as finais e continuar ganhando títulos. 

O tênis está cada vez mais competitivo, tanto em simples quanto nas duplas. Hoje os Bryan não são mais considerados “invencíveis” e isso se deve muito a você e ao Peya. Qual o segredo para vencê-los?
Bruno – Os Bryan tiveram o melhor ano da carreira, sem dúvida. Venho jogando contra eles desde 2008 e nunca tinha visto os dois jogarem tão bem. De certa forma isso fez com que todos também crescessem. Quem consegue chegar e jogar contra eles, como aconteceu com a gente, constantemente disputando finais com eles, vê que é preciso melhorar. A gente ralou pra isso. E no fim do ano conseguimos mostrar que elevamos nosso nível. O mesmo aconteceu com os outros: Marcelo e Ivan, Marrero e Verdasco, entre outros. E, vez de baixarmos a guarda e dizermos: “é, realmente não tem como vencer”, estamos brigando, pegando as gravações dos jogos e vendo onde precisamos melhorar, sair da nossa zona de conforto e arriscar mais. Foi o que fizemos e deu resultado.

bruno peya bryanBruno e Peya vencem os irmãos Bryan em Valência (Foto: Getty Images)

Por essa razão, os Bryan estão respeitando cada vez mais tanto você e o Peya quanto o Marcelo e o Dodig em quadra, até mesmo estudando algumas jogadas e tirando um pouco daquela posição de supremacia?
Bruno – Várias situações mostram isso. O simples fato deles jogarem muito mais “australiana” já mostra um certo respeito aos adversários. Eles sabem que estamos jogando em alto nível, chegando cada vez mais perto e precisam variar o jogo, tentar complicar um pouco nossa devolução. Até eles, em super alto nível, estão procurando se reinventar e dificultar a vida dos adversários.

Por falar nos Bryan, os fãs brasileiros querem saber: eles são legais mesmo ou abusam da politicagem, com um falso fair play?
Bruno – Eles são muito legais, dois caras muito bacanas. Obviamente sempre tem um clima na quadra quando há uma rivalidade maior. Mas fora dela são ótimas pessoas, que fazem muito bem ao esporte, atendem bem as pessoas e fazem muito pelas duplas nos Estados Unidos e pelos torneios onde passam. Tenho uma grande amizade com os dois. É normal nossos fãs pensarem assim pois os caras estão lá ganhando dos brasileiros e pensam: “pô, não aguento mais ver esses caras, aquelas “peitadas” de comemoração, que chatos", até eu me canso deles de vez em quando (rs)! Mas são dois jogadores que fazem muito bem ao tênis, principalmente às duplas.

Desde a Era Guga os brasileiros estão carentes de um ídolo no tênis. Você e o Marcelo Melo têm resgatado essa paixão pelo esporte e fazendo com que muita gente volte a acompanhar os jogos e a torcer muito por vocês. É uma grande responsabilidade ser um dos novos ídolos brasileiros no tênis?
Bruno – O brasileiro te acompanha, vê sua evolução e gosta muito de torcer. Mas também tem o outro lado: o da cobrança. Por isso é um torcedor exigente que quer vitórias, quer resultados e é algo normal, todo atleta precisa saber conviver com isso. Se você chega em alto nível, os fãs querem que você permaneça em alto nível. Mas você ganha o que tem condições de ganhar, nem sempre dá pra ganhar tudo. É preciso encarar essa cobrança pelo lado positivo, pra te ajudar a estar sempre na luta. São fases que o tênis vive: este ano foi ruim nas simples de forma geral, com as lesões e resultados não tão bons do Thomaz Bellucci, que chegou a ser 21 do mundo muito novo e ainda é muito novo. Temos o Guilherme Clezar, o Thiago Monteiro, o Feijão e o Rogerinho que sempre batem na trave. Tem muita coisa boa que ainda pode acontecer no tênis brasileiro, tanto nas simples quanto nas duplas.

Jogar em duplas é como um casamento: é preciso muita química e companheirismo, caso contrário não dura muito tempo. Hoje você e o Peya são a segunda melhor dupla do mundo. A que você atribui o sucesso dessa parceria?
Bruno – Você falou tudo: é um casamento, dentro e fora da quadra. Não dá só pra entrar, jogar e depois “tchau”. Tem o dia-dia, a rotina, os treinamentos, vitórias e derrotas, afinal não vivemos só dos momentos bons. Tem sempre aquele dia que um não vai jogar bem, seja você ou seu parceiro. Então é preciso estar ali pra dar aquele apoio. O resultado de uma parceria de sucesso são o dentro e o fora da quadra. O Alex e eu nos damos super bem, nos conhecemos muito bem, estamos numa fase parecida em nossas carreiras: ele é casado, super família e eu também. Gostamos das mesmas coisas, tipo comer comida japonesa (rs), o que facilita demais os altos e baixos do dia-dia e a rotina do tênis, que é extremamente estressante com os treinos e as viagens.

Em qual piso vocês gostam mais de jogar? Sentem que em alguma superfície específica vocês obtêm melhores resultados?
Bruno – A gente achava que era a quadra rápida. Mas, neste ano, jogamos muito bem no saibro. O ponto alto da nossa parceria é justamente jogar bem em todos os pisos. A ATP até fez um artigo muito legal falando sobre isso: fomos a única duplas que ganhou títulos no saibro, saibro coberto, quadra rápida, quadra rápida coberta e na grama. Mas acho que nosso melhor desempenho está no saibro e na quadra dura mais lenta. Quando o jogo fica muito rápido não é muito bom pra gente, preferimos os mais lentos como o do Finals, quadra dura indoor.

bruno e peyaBruno e Peya: parceria de sucesso dentro e fora das quadras (Foto: Getty Images)

Há poucos meses você trocou um de seus patrocinadores. Saiu a Solfire, entrou a Asics. Como está sendo essa nova parceria?
Bruno – Está “show de bola”! Muito legal a iniciativa da Asics de me vestir da cabeça aos pés. Além de usar materiais da melhor qualidade, eles têm a preocupação de criar uniformes bonitos, combinar o tênis com a camiseta. Essa linha que eu venho jogando, essa camisa amarelona eu gosto demais. No verão americano jogamos com short branco e ficou super bacana. Agora no indoor jogamos com short preto, também muito legal. Aliar a tecnologia das roupas com os calçados, que todo mundo sabe que são os melhores do mercado, é o ideal. Como já te disse em outra entrevista, gosto muito de moda e acho fundamental no esporte.

Há pouco tempo você começou a fazer faculdade à distância. Como está sendo a experiência?
Bruno – Estou estudando Marketing. Eu queria fazer uma faculdade desde o início do ano e aí surgiu a parceria com a Estácio. Hoje, no meio em que vivemos, acho fundamental. Aos 20 e poucos anos eu não tive essa oportunidade. Ou eu jogava tênis ou me dedicava à faculdade. Hoje posso fazer os dois. Estou sofrendo um pouco, não está fácil voltar à rotina dos estudos, mas faço no meu ritmo. Além de jogar, estou estudando que nem doido!

O que os fãs brasileiros podem esperar do Bruno e do Alex na próxima temporada, quais os objetivos pra 2014 e a expectativa da dupla pro Rio Open?
Bruno – Promete muito! Já vamos começar com muita confiança e saindo como cabeça-de-chave 2 no Australian Open e em outros torneios também. No nível que os Bryan estão, isso é algo que vale muito pois só nos enfrentaremos numa eventual final. Ano que vem queremos conquistar objetivos maiores: voltar a ganhar torneios Masters 1000, ganhar o título de Grand Slam que ficou faltando, permanecer entre os cinco melhores do mundo, continuar na briga pra disputar o Finals. A expectativa pelo Rio Open é muito grande. Ter um ATP 500 no Brasil vai ser muito legal. Gosto muito do Rio, já morei lá e é uma das cidades mais lindas do mundo. Quem sabe levar o caneco...seria perfeito!

Parabéns pela histórica temporada, Bruno e Peya! Estamos na torcida sempre! Simbora!

Agradecimentos: XYZ Live, Asics e Bayard

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