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Destino: Australian Open

 2009-01-27 05.38.27 - Cópia - CópiaRod Laver Arena - Melbourne Park

O amor pelo tênis veio cedo. O encanto pelo jornalismo também. Mas poder vivenciar ambas as paixões de uma só vez é algo recente em meus 34 anos de idade, dez deles dedicados à profissão. Quando trabalhei no Bandsports tive um contato maior com a realidade do esporte e, na primeira oportunidade, não pensei duas vezes.

Saí de férias em janeiro de 2009. Destino: o outro lado do globo. Conhecer a Austrália era um sonho antigo. Praias, natureza, qualidade de vida, cultura, segurança, calor humano e muito incentivo a todos os esportes. Comprovei que o maior país da Oceania é um dos melhores do mundo, se não for o melhor, e como muita gente costuma dizer: é o Brasil que deu certo!

Mas não cruzei os oceanos e encarei mais de vinte horas de vôo apenas pra fazer turismo. Um dos objetivos era viver uma experiência profissional no Grand Slam mais democrático e hospitaleiro do circuito. E assim debutei no maravilhoso mundo do jornalismo “tenístico”: o Australian Open foi o primeiro torneio que acompanhei in loco. E a primeira vez a gente nunca esquece! Então, nada melhor do que falar sobre o primeiro Grand Slam da temporada no primeiro post do ano.

Os preparativos começaram um mês antes. Algumas amigas minhas de adolescência moram lá há muitos anos, então a hospedagem estava garantida. Próximo passo: reservar as passagens aéreas. Assim como no Brasil, essa época de verão é o auge da temporada australiana e os preços estavam nas alturas. Mas consegui uma promoção com parada de um dia em Dubai. E assim encarei 28 horas de vôo!

Depois da maratona aérea, enfim cheguei em Sydney e confesso: foi amor à primeira vista, ainda na janelinha do avião. Começava então uma das melhores experiências da minha vida. Vivenciei a cultura local e o dia-dia típico de uma grande e linda família australiana, os Griggs. Michael, marido da minha amiga brasileira Tati, é irmão da apresentadora do Channel 7, canal de TV responsável pela transmissão oficial do Australian Open.

Johanna Griggs, renomada jornalista local, foi minha anfitriã em Melbourne. Além das credenciais de imprensa, ela me hospedou no hotel que patrocinava o torneio. Dividimos a suíte e também muitas experiências pessoais e profissionais. Responsável pela apresentação do torneio na TV há muitos anos, Johanna também entrevista os jogadores depois das partidas no estúdio móvel do canal, instalado atrás do telão na Garden Square.

2009-01-27 08.36.19 - CópiaJohanna em ação no estúdio do Channel 7

O Melbourne Park localiza-se à beira do Yarra River, o belo rio que cruza a cidade e é muito usado por atletas australianos de canoagem. A todo momento é possível ver uma equipe treinando pesado para as competições. Algo comum para um país que respira esporte, seja ele qual for. Nos arredores você também encontra muitos restaurantes charmosos com ótima gastronomia.

Ao contrário dos outros complexos, o Melbourne Park é muito bem localizado, praticamente no centro da cidade, e tem fácil acesso. É possível ir de “tram”, que leva a todos os lugares, de bicicleta (há locais disponíveis para elas) ou simplesmente à pé. Era assim que eu ia do hotel pra lá e de lá pro hotel todos os dias: caminhando e apreciando a arquitetura e a natureza locais.

2009-01-27 20.14.02Policiais fanfarrões: você também encontra aqui

Quem vem do centro da cidade passa por uma praça moderna, cheia de gente linda e telões que transmitem TODOS os jogos, TODOS os dias, o dia TODO. A maior concentração pública de fãs de tênis no mundo. É a Federation Square, no coração de Melbourne! Nem preciso dizer que me senti em casa, né?

2009-01-27 03.56.08 - Cópia - CópiaA linda Federation Square

Quem não tem ingresso para as quadras, pode comprar o ticket de acesso ao Melbourne Park, passear pelo complexo, visitar as lojinhas, ver os treinos dos tenistas nas quadras menores e acompanhar os jogos principais ali mesmo no gramado da Garden Square. Em uma de minhas andanças por ali, não resisti: deitei na grama pra sentir a vibração da torcida que, ao som de “Aussie, aussie, aussie. Oi, oi, oi”, gritavam por Jelena Dokic, uma das tenistas da casa. No mesmo instante, um caça da Força Aérea Australiana sobrevoava a Rod Laver Arena e deixava o recado no céu mais do que azul. Animação é o que não falta!

2009-01-27 20.32.34Bilheteria

2009-01-27 05.55.44 - Cópia - CópiaTelão na Garden Square

2009-01-27 05.51.43 - Cópia - CópiaAre you?

O complexo é lindo! São 28 quadras rápidas, além da Margareth Court, da Hisense Arena e da Rod Laver Arena, considerada por muitos, inclusive pelo árbitro Carlos Bernardes, a melhor pra assistir uma partida de tênis pois não é tão alta e dá pra ver tudo bem de pertinho, mesmo lá de cima. Outra vantagem é o teto retrátil, tanto na Hisense quanto na Rod Laver Arena, fundamental em dias de chuva ou quando a temperatura atinge os 43 graus. Tive essa experiência alguns dias lá e confesso: o calor é bem forte, quase insuportável. Viva o teto!

2009-01-27 20.32.51Rod Laver Arena

 2009-01-28 00.14.50Com minha "mate" Tati, depois de suarmos em bicas, já com o teto fechado

2009-01-28 02.19.15Quartas-de-final Tsonga x Verdasco

Como em todo torneio, os tenistas sempre chegam antes pra treinar. Por isso insisto: chegue cedo também e acompanhe os bastidores de um treino. É o momento em que a equipe trabalha pesado, o treinador dá as orientações necessárias e você vê como é a rotina de um jogador profissional e sua equipe. Lá os jogos começam às 11 horas. Cheguei às 10 e acompanhei, da beira da quadra, o treino do Tsonga na Rod Laver.

2009-01-27 20.33.55-2Treino Jo-Wilfried Tsonga

Lojas de souvenirs também não faltam. Não resisti e trouxe pra casa algumas lembrancinhas que são a cara do “Grand Slam da Ásia e do Pacífico”: um par de chinelos oficial do torneio, no melhor estilo Havaianas, e um tubo de bolinhas usadas pelos jogadores durante as partidas. Até hoje fico imaginando quem surrou as amarelinhas que agoram fazem parte da minha coleção!

A área de alimentação em Melbourne Park é bem variada e, ao contrário da maioria dos torneios, você consegue comer bem. Os australianos são adeptos do estilo de vida saudável, por isso há opções mais leves como barracas de frutas e sucos, sanduiches naturais e saladas, além de um restaurante contemporâneo e um de comida coreana com carnes, vegetais grelhados e muito curry. Hot dog, hamburguer e o clássico fish and chips também não faltam!

Alguns profissionais da imprensa, em especial do Channel 7, têm acesso à área VIP, que oferece champagne à vontade, o dia todo. Nosso almoço era lá, em uma das mesas da emissora, compartilhadas entre funcionários e atletas patrocinados pelo canal. Um dia almoçamos com Mark Winterbottom, piloto do Australian V8 Supercar, e Michael Patrizi, do Australian Porsche Carrera Cup. Como bons australianos, os caras são "gente boa" demais!

2009-01-27 22.39.19Meu pequeno prato de pedreiro!

2009-01-28 00.15.26Michael Patrizi e Mark Winterbottom

Como não poderia deixar de ser, jornalistas do mundo todo trabalham na cobertura do torneio. Mas, pra mim, os momentos mais bacanas são as entrevistas feitas com maestria por Jim Courier no final das partidas. O ex-tenista americano é o carisma em pessoa e participa da cobertura do Australian Open já há alguns anos. Bandas de pop/rock locais também se apresentam no complexo e na Rod Laver Arena antes e depois de alguns jogos. Sempre em clima de festa!

Além do bom desempenho de Jelena Dokic, essa edição do Australian Open ficou marcada pela semifinal entre Nadal e Verdasco, que durou 5 horas e 14 minutos e também pela emocionante final entre Federer e Nadal, com as lágrimas do suiço e o abraço carinhoso do espanhol. Resumindo: Roger chorou, a torcida local chorou, o mundo chorou, eu também chorei. Ok, nem só de risos vive o Australian Open!

Depois da maratona de jogos e da maratona de trabalho em um Grand Slam, voltamos para Sydney. Como autêntica australiana hospitaleira, Johanna nos ofereceu um jantarzinho de despedida em sua casa, pra fecharmos o primeiro Grand Slam do ano com chave de ouro. Só tenho o que elogiar e agradecer aos amigos brasileiros e australianos que me receberam tão bem e me proporcionaram alguns dos melhores momentos da minha vida. Simplesmente inesquecíveis.

O Australian Open não tem a tradição de Wimbledon, o charme de Roland Garros nem o clima de Disneylândia do US Open, mas é o Grand Slam da alegria e da hospitalidade, pois sabe receber, como nenhum outro, gente dos quatro cantos do mundo. Por isso também é o mais democrático, afinal você é bem-vindo de onde vier e como estiver, seja de terno e gravata ou calçando chinelos Havaianas. E nada melhor do que se sentir em casa, mesmo estando do outro lado do mundo, não é?

2009-01-27 22.02.35

Espero te ver em breve, Australian Open! Ou no bom “australianês”: See you soon, mate!

* Saiba mais sobre o torneio e o complexo: www.ausopen.com

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