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Um papo com João Souza, o Feijão

feijãoJoão Olavo Souza, o Feijão (Foto: Lucas Lima / Veja SP)

Ele é um dos tenistas mais carismáticos do circuito e já foi considerado uma das gratas revelações do tênis brasileiro na era pós-Gustavo Kuerten.

Nascido em Mogi das Cruzes, João Souza tem 7 títulos de Challenger, já disputou as chaves principais do US Open e de Roland Garros, integrou o time brasileiro na Copa Davis e, após o título no Aberto de São Paulo, liderou o ranking nacional pela primeira vez.

Durante o lançamento da coleção ASICS criada exclusivamente para o Rio Open, Feijão bateu um papo com o Tennis Report e falou sobre a carreira, os planos para essa temporada e o apelido carinhoso pelo qual é conhecido em todo o Brasil. Confira!


Como o tênis surgiu em sua vida?
João Souza – Surgiu quando eu tinha 9 anos de idade na minha cidade natal, Mogi das Cruzes. Meu pai sempre teve o tênis como hobby, um dia estava jogando com a minha irmã e me convidou pra jogar também. Eu aceitei, gostei, na semana seguinte já estava na escolinha do clube e assim comecei a seguir a carreira no tênis. Aos quinze anos fui pra São Paulo e há nove estou no Rio. Foi algo inesperado, mas é um esporte que me traz muitas alegrias e que eu indico pra qualquer pessoa.

Algum tenista da antiga geração serviu de inspiração na sua carreira?
João Souza – Bem nessa época quando eu tinha nove anos, o Guga havia ganhado o primeiro título de Roland Garros, mas lembro mais do Fininho (Fernando Meligeni), quando ele ficou em quarto lugar na Olimpíada de Atlanta. Gosto muito dos Jogos Olímpicos e sempre acompanhei bastante. Na verdade nunca tive um ídolo no esporte ou no tênis. As duas únicas pessoas em quem eu me espelho são minha mãe e minha avó.

Você fez uma bela campanha no Aberto de São Paulo, levou o título após vencer Alejandro Gonzalez, garantiu 125 pontos e superou Thomaz Bellucci como o número 1 do Brasil. Qual foi a sensação de liderar o ranking, mesmo por pouco tempo, já que o Thomaz logo recuperou o posto após o Australian Open?
João Souza – Foi muito legal, repercutiu bastante pelo Thomaz estar há uns cinco ou seis anos como o primeiro do país e ninguém ainda tê-lo ultrapassado. A meta de todo tenista não é subir somente no ranking nacional e sim no mundial. Ser o número 1 do Brasil não influencia em nada e, na minha carreira, acabou sendo apenas mais um número. Mas também me trouxe muitas coisas boas, principalmente mais confiança pra seguir o ano de 2014 adiante e aproveitar essa energia do Aberto de São Paulo para fazer uma grande temporada.

feijao-comemoraFeijão comemora o título no Aberto de São Paulo com a torcida (Foto: EFE) 

Então pra você foi mais importante chegar ao Top 100 pela primeira vez (durante o ATP 250 de Kitzbuhel em 2011) do que ser o número 1 do Brasil pela primeira vez?

João Souza – Sim. Não só entre os cem, a gente almeja estar entre os sessenta, quarenta do mundo. Não há limites de ranking. Esse ano quero estar entre os cem novamente, jogar nos grandes torneios, principalmente entrar nas chaves principais dos Grand Slams (Roland Garros, Wimbledon e US Open) que ainda vão acontecer em 2014.

Pela programação e pela posição no ranking, você disputaria o qualifying do Australian Open. Por que mudou a agenda de última hora e optou pelo Challenger de Bucaramanga, na Colômbia?
João Souza – Por ser uma viagem muito longa, com dois vôos de catorze horas, trinta no total, e o fuso horário em Melbourne é de 13 horas a mais. Como joguei a final no domingo, eu teria que pegar o vôo à noite para chegar lá na terça-feira e já jogar na quarta. Ficou inviável. Se eu tivesse perdido na semifinal de sábado até poderia arriscar e teria um dia a mais de treino. Conversei com o Pardal (Ricardo Acioly, treinador), resolvemos cancelar as passagens em cima da hora e preferimos treinar mais para a gira sulamericana de saibro.

Você tem 7 títulos de Challenger no total: Aberto de São Paulo 2014, São José do Rio Preto 2013, Quito e Cali 2012, Santos 2011 e dois em Bogotá 2010. Qual deles teve um gostinho especial?
João Souza – O título do Aberto de São Paulo, por ter sido no Brasil, ser um torneio de R$125 mil, com hospedagem e tantos pontos me deu uma alavancada muito boa no ranking. É diferente a sensação que tenho de jogar em São Paulo em comparação aos outros torneios que ganhei. Ainda mais porque já faz algum tempo e o último sempre fica mais fresco na memória. Em São Paulo estou perto da minha família, dos meus amigos e a torcida foi muito importante para mim. Sem dúvida foi o título que mais me marcou até agora.

Tanto no Brasil Open 2013 quanto no Aberto de São Paulo agora em 2014, o público torceu muito por você e eu percebo que você adora jogar aqui no Brasil. O apoio e a vibração da torcida são fundamentais quando você está em quadra?
João Souza – Eu adoro! Ano passado contra o Rafael Nadal no Ginásio do Ibirapuera foi uma energia que eu jamais havia sentido. Acho que só na minha primeira Copa Davis, quando joguei contra a Colômbia, senti algo parecido. Sair da quadra e ouvir a torcida gritando meu nome no Ibirapuera lotado, numa quinta-feira à noite… Uma partida que ficará marcada para sempre na minha carreira. Jogar com o apoio da família e dos amigos não tem preço. A gente passa até 35 semanas por ano viajando, então quando tem essa oportunidade de jogar em casa e ainda ser campeão é algo inexplicável. Espero poder repetir essa experiência nos torneios ATP que estão por vir.

Por falar em Brasil Open, no ano pasado foi fez uma partida disputadíssima, deu uma canseira no Rafael Nadal e quase derrotou o número 1 do mundo em casa, diante da plateia brasileira. Espera por uma revanche agora no Rio Open?
João Souza – Tive uma ótima chance no segundo set, com ele sacando, um break point que escapou. Se eu tivesse feito 3 a 1, talvez pudesse ter vencido o primeiro set e de repente jogado o terceiro. São coisas do jogo. Como você falou, eu tive a chance de ter passado à frente no placar. Mas foi demais! E se eu tiver que jogar com ele de novo vai ser agora no Rio. Vou estar preparado, jogando em casa e espero que a torcida esteja do meu lado, apesar de ser difícil pelo que o Rafael Nadal representa não só aqui no Brasil, como no mundo inteiro. Mas vou ter minhas próprias forças e energias se jogar novamente contra ele.

feijao brasil openJoão Souza e Rafael Nadal - Brasil Open 2013 (Foto: GazetaPress)

Por falar nisso, qual sua expectativa para a gira sulamericana de saibro e, em especial, para o Rio Open, primeiro ATP 500 na América do Sul?

João Souza – Depois de Viña del Mar meu foco será para o torneio no Rio. Vou estar em casa com toda a minha equipe: preparadores físicos, nutricionista, fisioterapeuta, treinadores. Minhas expectativas são as melhores e tenho certeza de que vou estar pronto para o torneio.

Joga no Brasil Open também?
João Souza – Jogo, sim. Não tem como ficar de fora!
 

A moda faz parte do tênis. Você é vaidoso? Como definiria seu estilo dentro e fora das quadras?
João Souza – Sou um pouco vaidoso, gosto de usar minha faixa (headband) porque tenho o cabelo mais comprido. Gosto de ser um pouco diferente de todos. Muitos dizem que meus cabelos encaracolados lembram os do Guga. Gosto de estar bem vestido, com as roupas combinando e a ASICS me ajuda com essa variedade de uniformes, de calçados e de entrar bonito na quadra. Toda pessoa é vaidosa, umas mais, outras menos. Eu me considero bem vaidoso e, mesmo fora da quadra, gosto de estar arrumado. Sempre perco um tempinho na frente do espelho antes de sair de casa (rs)!

Muita gente ainda não sabe e tem essa curiosidade: por que o apelido Feijão?

João Souza – Foi por acaso também, assim como quando o tênis surgiu em minha vida. Minha avó Jacira faz o melhor feijão do mundo e eu amo a comida dela, mas o apelido surgiu quando eu estava num torneio juvenil. O irmão de um amigo me viu fazendo um prato gigante de arroz com feijão e disse: “Nossa, quanto feijão! Olha o tamanho do seu prato!”. E de um dia pro outro eu virei o Feijão. Na minha cidade ninguém me conhece pelo apelido. É João. E os tiozinhos lá do clube ainda me chamam de Joãozinho, mesmo eu tendo 1,92 de altura. Feijão é mais no circuito, mesmo. Mas é um apelido carinhoso que hoje as pessoas associam muito mais à cor da minha pele do que a essa história.

Pegou mesmo, né?
João Souza – Pegou mesmo, eu gosto e não vejo problema nenhum em ser chamado de Feijão!

Muito obrigada pela entrevista, a gente está na torcida pra você furar o quali ou receber o wild card do Rio Open. Quem sabe, você não vence o Nadal dessa vez!
João Souza – Não só o Nadal, mas quem sabe eu “dou uma beliscada” num torneio aí pra dar mais um “upgrade” no ranking!


Veja a entrevista também em vídeo no canal do Tennis Report no YouTube:

 

Agradecimentos: ASICS Brasil, In Press Media Guide, Acioly Tennis Team e TV Tenista -  www.tvtenista.com.br

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