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Entre e fique à vontade

 DSCN5579Entre e fique à vontade

Logo na entrada, um grande painel dá as boas vindas aos jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas que vieram de vários cantos do Brasil e do mundo para uma semana de muito tênis na Cidade Maravilhosa. Se o Rio de Janeiro virou a segunda casa dos profissionais que trabalharam na cobertura do maior torneio de tênis da América do Sul, a sala de imprensa pode ser considerada a primeira.

Entre inúmeras partidas e incontáveis horas de trabalho, o que todo mundo quer é um cantinho pra chamar de seu. E no Rio Open, esse “cantinho” se transformou num super espaço com toda estrutura necessária para tantos dias de evento. A equipe de assessoria do torneio começou a utlizar a sala na segunda-feira, uma semana antes do início dos jogos. E os jornalistas, na quinta-feira, antes da rodada do qualifying.

E a turma era grande! Foram credenciados 377 jornalistas, sendo 321 brasileiros e 56 estrangeiros, num total de 179 veículos de comunicação, entre eles 154 nacionais, além de 80 estações de trabalho. Salas de imprensa são territórios internacionais, onde pessoas do mundo todo interagem e compartilham o mesmo espírito: levar a informação precisa aos quatro cantos do mundo. Pra quem é apaixonado pelo esporte e pela profissão, nada melhor do que viver intensamente esses dias que passam na velocidade de um ace.

DSCN5598O cantinho da imprensa no Rio Open

Fabrizio Gallas faz a cobertura de torneios de tênis para o site Tênis News desde 2005. Estreou na sala de imprensa da Copa Davis em Joinville, quando Guga Kuerten estava nos últimos anos da carreira e o Brasil venceu as Antilhas Holandesas. Desde então, já trabalhou em Roland Garros, Masters de Madrid, ATP de Buenos Aires, ATP Finals, Brasil Open, Copa Davis na Áustria, Argentina e Espanha e agora no Rio OpenPara ele, o grande barato da sala de imprensa é justamente a interação, estar com outros jornalistas, especializados no esporte ou não, além das brincadeiras e fofocas que surgem sobre o circuito. “É bem legal esse bate-papo, essa interação. A gente faz contatos, piadas, brinca bastante. Inclusive nesse torneio teve um BBB. Um jornalista registrou os bastidores e vai revelar tudo depois”.

Fabrizio achou que a sala de imprensa do Rio Open tem uma estrutura parecida com a do ATP Finals, apesar do espaço no torneio em Londres ter o dobro do tamanho, um telão com transmissão e estatísticas dos jogos e duas salas de coletiva ao lado. “Nos torneios de Grand Slam e em alguns Masters temos uma tela individual pra assistir a transmissão dos jogos e das coletivas de imprensa sem precisar sair da sala, assim como transcrições em inglês, espanhol e francês. Detalhes que certamente serão melhorados no próximo ano pois o torneio está muito bem estruturado e grandioso”.

DSCN5575A sala de estar… ou de TV

Outro veterano nos torneios de tênis é Alexandre Cossenza, do Blog Saque e Voleio. Há oito anos no circuito, o jornalista já passou por diversas salas de imprensa no Brasil e no mundo, como as do US Open, Wimbledon, Australian Open, torneios ATP de Auckland e Newport, Challengers em Campos do Jordão e Rio Quente, Brasil Open e o Rio Open. “O acesso à sala de imprensa aqui não é tão legal, há apenas duas TVs para oitenta postos de trabalho. Aí fica todo mundo num cantinho pra ver os jogos. Até vira uma sala de estar. Mas a estrutura é muito boa, o ar condicionado é legal, tem espaço pra todo mundo, inclusive na quadra”.  

Para Alexandre, o trabalho da imprensa é fundamental pois mostra ao torcedor o dia-dia dos tenistas, dentro e fora da quadra. “Vemos pela TV o jogador reclamando com o árbitro, com ele mesmo e nós é que levamos ao público o que realmente aconteceu ali naquele momento. Mais importante ainda nessa época de redes sociais, pois a informação é passada de maneira muito rápida e de repente já existem dez mil teorias e ninguém falou com nenhum jogador pra saber realmente o que ele está pensando”.

São muitos os baratos de uma sala de imprensa, segundo ele. As brincadeiras entre os jornalistas sobre o que aconteceu numa coletiva, as piadas internas, as besteiras que todos falam e o que pensam antes de cada entrevista. “Se na internet surgem dez mil teorias, a gente cria vinte mil antes de ir pra coletiva. Aí lá na hora, faz a pergunta e não era nada do que havíamos imaginado. Ver os treinos dos jogadores também é sensacional porque ninguém vê na TV. Passei a respeitar muito o Marcelo Melo quando o vi treinando com o irmão sob um sol absurdo na Austrália, apesar de já ter perdido nas duplas e nas mistas. Assim como o Thomaz Bellucci que, mesmo com mil defeitos em quadra, treina como um maluco e pouca gente sabe. Nós é que temos de passar isso pois no final das contas é a nossa visão que vai até o leitor”.

DSCN5577Relógios cortesia da Rolex com os horários locais dos outros torneios patrocinados pela marca

O fotógrafo argentino Néstor Beremblum também tem muita experiência em grandes eventos, mas garante que num torneio de tênis a interação entre os colegas é maior pois todos se ajudam. Se um fotógrafo tiver algum problema, os outros prontamente se oferecem para emprestar equipamentos, assim como os jornalistas estão sempre ali para passar dicas e informações importantes. “Torneios de tênis são sempre uma loucura e por isso cada momento é único, como por exemplo quando os colombianos Juan Cabal e Robert Farah pularam na piscina algumas horas depois de serem campeões nas duplas”. Para ele, o mais legal da sala de imprensa é a interação direta com os tenistas. “Vários querem as fotos que tiramos deles durante as partidas, enviam emails pedindo. Nastassja Burnett foi uma das que me enviaram um email pedindo as fotos. Isso faz com que a gente tenha vontade de ser um profissional exclusivo do circuito”.

piscina duplasFlagra do "tchibum" de Robert Farah (Foto: ATP)

Especialista no mundo do tênis, Chiquinho Leite Moreira não faz ideia de quantas vezes já esteve numa sala de imprensa. Mas entre os tantos eventos que acompanhou como Copa do Mundo, Jogos Panamericanos e Fórmula 1, as salas de imprensa dos torneios de tênis são especiais para ele, que começou a cobrir tênis em 1982 e Grand Slams em 1985. No extenso currículo do jornalista que hoje apresenta o programa Ace no Bandsports e tem um blog no site Tênis Brasil, nada mais nada menos que 28 participações em Roland Garros, 20 no US Open, 18 em Wimbledon e 5 no Australian Open

Na época do Guga muita gente perguntava como Chiquinho ficava sabendo das informações antes dos outros colegas. A dica, que ainda vale para os dias atuais, é chegar aos eventos mais cedo e ir embora só depois que tudo termina porque é uma exigência da profissão. “Você fica sabendo da informação porque está ali. É imprescindível estar na sala de imprensa, na sala de coletiva e também perto dos atletas. Precisa estar junto, mesmo”. Sobre a interação profissional com os colegas, Chiquinho hoje vê uma concorrência diferente. “Tenho a característica de não passar informação. Não me peça de graça a única coisa que tenho pra vender. Muitos acham que isso é antipatia, mas vejo como uma salvação da nossa categoria. Se ficarmos à espera de press releases, de coletivas e de informações oficiais, tudo vai ficar igual. É preciso ter um diferencial, uma informação diferente e também mostrar os bastidores”

Ele destaca que a quantidade de jogos se reflete no número de informações que, hoje em dia, precisam ser em tempo real. “A urgência é diferente de tempos atrás, quando tínhamos tempo de escrever e só depois ia para os impressos. A sala de imprensa se adequou à nova realidade e todo mundo está ligado na internet o tempo todo pelas mídias sociais”. Chiquinho também destaca outra curiosidade sobre o cantinho da imprensa. “Ao contrário do que as pessoas imaginam, nem sempre os profissionais da mídia estão nas quadras, assim como na Fórmula 1 nunca estão na pista. É raro assistirmos um jogo inteiro de tênis porque não dá tempo, é preciso fazer várias coisas ao mesmo tempo e a sala de imprensa é um centro de informações anexo a um grande evento”.

Por trás de toda criação, logística e organização da sala de imprensa existe uma grande e experiente equipe. No Rio Open não foi diferente. Sob o comando de Diana Gabanyi, chefe da assessora do torneio carioca, que já cuidou da carreira de Gustavo Kuerten e já comandou a imprensa no WTA Championships em Doha, entre tantos cuidados, o principal era ter um serviço de internet impecável, seja na sala de imprensa, na quadra ou na sala de coletiva. “Providenciamos cabos e wifi pra todos, adaptadores universais disponíveis para tomadas de 3 pinos porque é algo que dá problema, varia muito. Outros cuidados foram com as máquinas de xerox que às vezes encalham, um ar condicionado potente pra aguentar o calor carioca e um excelente buffet. Como são muitos dias e dias bem longos fizemos questão de ter um bom serviço pra ninguém sair daqui desmaiando”.

DSCN5534Buffet com frutas, água, sucos, café e sanduíches naturais

Outra ideia foram os armarinhos que parecem apenas mais um detalhe, mas que fazem muita diferença pra quem precisar guardar equipamentos, como os fotógrafos e os cinegrafistas. A sala de coletiva foi instalada no cinema do Jóquei Club pela localização estratégica, bem próximo aos vestiários e à sala dos jogadores. E na quadra central havia um bom espaço exclusivo para a imprensa.

DSCN5403Sala de Coletiva

DSCN5529Espaço exclusivo na quadra central

Diana está satisfeita com o resultado do trabalho. “Estou muito feliz porque supervisionei cada detalhe para garantir que nada desse errado. Tivemos a ajuda de nossa produtora maravilhosa, a Camila, que abriu e fechou a sala todos os dias. Conseguimos atender muito bem a imprensa. Essa é a principal perocupação sempre. Ter o mínimo de estrutura necessária e conseguir trabalhar sem qualquer problema ou imprevisto. Ao final de cada evento fazemos um balanço do que pode ser melhorado e sempre há ajustes a se fazer. Mas acho que, por ser o primeiro ano, fizemos um bom trabalho”.

Fotos: Ariana Brunello e ATP

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