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Uma tarde no museu

 DSCN6121-2Museu da Federação Francesa de Tênis em Roland Garros (Foto: Ariana Brunello)

Das primeiras partidas de tênis às últimas vitórias de Rafael Nadal, o recordista de títulos em Roland Garros. Aqui o esporte tem um cantinho especial com todas as fases de sua história: das bolinhas gregas de lã às oficiais padronizadas em 1555, da criação do Lawn Tennis por Wingfield em 1874 como o esporte da moda, inicialmente jogado nos gramados e jardins até os campeonatos oficiais.

Assim começa a história do tênis no mundo. Em Paris, o primeiro Campeonato Francês, precursor do torneio de Roland Garros, aconteceu em 1891 e atraiu poucos espectadores na época. Hoje, cerca de 450 mil pessoas vêm de todos os cantos para prestigiar o Aberto da França e cerca de 3 bilhões de telespectadores acompanham o torneio pela televisão a cada edição.

As quadras de Roland Garros foram construídas em 1928 após a vitória dos “quatro mosqueteiros” na Copa Davis e até hoje são palcos de duelos inesquecíveis. Assim como os outros três Grand Slams, Roland Garros revelou muitos ícones do esporte que estão eternizados num cantinho especial dentro do complexo. Prepare-se para um passeio pela história do tênis francês!

MuseuBienvenue

DSCN6183Campeões imortalizados

 DSCN6280Exposição permanente 

É na sala de exposição permanente no Museu da Federação Francesa de Tênis, totalmente reformado em 2012, que estão cerca de noventa preciosidades que contam as fascinantes histórias do tênis aos apaixonados pelo esporte. Logo na entrada um painel em homenagem a todos os jogadores que já levantaram o trofeu aqui. De H. Briggs e Suzanne Lenglen a Rafael Nadal e Serena Williams, campeões da última edição. Nosso querido Guga tem um lugar especial entre as estrelas do saibro francês.

Logo à frente, centenas de raquetes de madeira enchem as vitrines de vidro e os olhos dos visitantes que chegam ao andar de baixo do museu, localizado no subsolo de uma pequena e charmosa casa ao lado da Philippe Chatrier. Ali, uma biblioteca também está à disposição dos visitantes. Basta andar mais um pouco para avistar as criativas obras de arte feitas com raquetes, cordas e até o famoso saibro que cobre todas as quadras do complexo, com a frase de Michel Sardou: “Vermelho, como o mar que cobre o deserto da Judéia”. Quem não gostaria de ter todas elas em casa?

Museu 2Obras de Jean-Pierre Rives e Arman

Museu 3O saibro francês e a obra "O tênis corre em minhas veias"

Museu 5Banquinho com cordas de raquete e os trofeus

As surpresas aparecem a cada passo rumo à sala principal do museu. No imenso telão, que cobre praticamente uma parede inteira, as lembranças aparecem nos momentos mais emocionantes que marcaram cada vitória suada ao longo dos anos. Ali também estão os trofeus das categorias masculina e feminina, as capas mais importantes do tradicional jornal L’Èquipe, os tipos de calçados usados e marcados com a terra batida e as roupas criadas por Jean Patou e Ted Tinling, pioneiros da moda no tênis. O vestido de seda de Diddier Vlasto ao lado da saia de Na Li e o suéter de Jean Borotra junto à regata de Rafael Nadal mostram o contraste de estilos a cada geração.

Mais à frente, um espaço conta como era o “Jeu de Paume”, início do tênis jogado com as mãos e as luvas usadas pelos jogadores. Uma maquete mostra como era a demarcação da quadra de saibro quando a raquete foi incorporada ao jogo. Você sabia que era assim? Wingfield, precursor do Lawn Tennis que instituiu e regulamentou o esporte, e o aviador Roland Garros, que dá nome ao complexo e era apaixonado pelo tênis, também têm um cantinho especial logo à frente.

DSCN6186Coleção de relíquias. Sonho de consumo!

DSCN6198A evolução dos calçados 

Museu 4A mudança de estilos

DSCN6211Demarcação da quadra no início do esporte

Raquetes e roupas usadas pela diva Suzanne Lenglen, pelo ídolo francês Yannick Noah, pela lenda do saibro Bjorn Borg, pelo casal Stefi Graff e Andre Agassi e pelos ídolos da atualidade Roger Federer e Rafael Nadal também estão imortalizados no museu da Federação Francesa. Objetos que marcaram a carreira de alguns dos maiores nomes do esporte e a história de Roland Garros. Um retrato de Chris Evert feito por Andy Wharol, no mesmo estilo Pop Art dos retratos de Marilyn Monroe e Liz Taylor, celebra as sete vitórias da tenista norte-americana em Paris. René Lacoste, criador da famosa marca do jacaré, também inventou a primeira máquina de lançar bolinhas, sabia?

A Copa Davis também tem um lugar especial. Em 1927, a França surpreendeu o mundo após derrotar os Estados Unidos na competição. Os grandes responsáveis pelo feito histórico foram os “quatro mosqueteiros”: Jacques Brugnon, Jean Borotra, Henri Cochet e René Lacoste. O tão sonhado título levou à construção do Stade de Roland Garros, que desde 1981 recebia o Campeonato Francês, somente para sócios do clube, e de 1925 até hoje recebe jogadores internacionais no torneio de saibro mais importante do mundo.

DSCN6222Objetos-ícones de Roland Garros

DSCN6239Uniformes de Stefi Graff e Roger Federer e raquetes de Andre Agassi

Museu 7Máquina de lançar bolas e paletó criados por Lacoste

DSCN6234Uniforme de Bjorn Borg e retrato de Chris Evert por Andy Wharol

Ao final, quatro grandes tubos mostram as composições exatas das superfícies das quadras em cada um dos Grand Slams. Australian Open: Australian Open azul (textura, pigmentação, resina de revestimento), plexicushion, camada de base plexicushion, enchimento acrílico, sub-base concreto ou asfalto. Roland GarrosPó de tijolo vermelho 1-2 mm, calcário branco 6-7 cm, clínquer (resíduo de carvão) esmagado 7-8 cm, cascalho esmagado pelo menos 30 cm, drenagem. WimbledonGrama, zona radicular (23% teor de argila) 25 cm, camada ofuscante 5 cm, pedra 15 cm, drenagem. US Open: US Open azul (textura, revestimento ligado à resina pigmentada), almofada de borracha fina, almofada de borracha pesada, enchimento acrílico, sub-base concreto ou asfalto. Muito interessante, não é?

DSCN6249Pisos das quadras do US Open, Wimbledon, Roland Garros e Australian Open

Em comemoração ao décimo aniversário, o Museu da Federação Francesa apresenta duas exposições temporárias muito interessantes. Em homenagem aos cem anos da Primeira Guerra Mundial, a mostra "Moi... Roland Garros" (Eu... Roland Garros) foi inaugurada no ano passado para comemorar o primeiro vôo non-stop do pioneiro da aviação francesa, um dos herois da guerra, por todo o Mar Mediterrâneo.

Ainda pelas comemorações do centenário, a mostra "Linha de Fronte - Tênis de 1914-1918" conta a história de doze grandes personalidades do esporte que participaram do primeiro conflito mundial: Max Decugis, Margarida Broquedis, Anthony Wilding e outros campeões que interromperam suas carreiras quando a guerra eclodiu. Alguns retornaram dos campos de batalha, outros infelizmente não sobreviveram. Em breve, estes herois serão imortalizados na exposição permanente do museu.

Tradição em cada edição do torneio, o cartaz oficial este ano foi projetado pelo artista espanhol Juan Eups, que criou uma obra bem colorida representada por três esferas colocadas sobre uma rede de tênis ao fundo. Os cartazes de todas as edições também podem ser vistos lá. Com tudo isso e muito mais, o Museu da Federação Francesa de Tênis é visita obrigatória para quem estiver no torneio durantes os próximos dias. Uma experiência única para reviver a cultura e as memórias do esporte branco no melhor espírito de Roland Garros.

DSCN6251"Eu… Roland Garros"

DSCN6259"Linhas de Fronte - Tênis de 1914-1918"

DSCN6258Gravuras de todas as edições do torneio 

Fotos: Ariana Brunello

Musée de la Fédération Française de Tennis - Galerie Roland Garros
2, avenue Gordon-Bennett – Paris
Mais informações: www.fft.fr e www.rolandgarros.com

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