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Laura Pigossi e Carla Forte, as meninas do Brasil

laura e carla-2Laura Pigossi e Carla Forte (Foto: Messias Tennis)

Elas são jovens, lindas e têm um sonho em comum: ser a número 1 do mundo! Mas, por trás do sorriso de menina, revelam a força de atletas que sabem onde querem chegar.

Foi numa manhã fria, durante uma sessão de treinos para a temporada de saibro, que o Tennis Report bateu um papo com Laura Pigossi e Carla Forte, promessas do tênis feminino brasileiro.

Mas a baixa temperatura não tirou o pique das nossas atletas juvenis. Às sete da manhã elas já estavam em quadra, mostrando que têm garra e determinação de sobra pra chegar ao lugar mais alto do pódio.

Como o tênis surgiu na vida de vocês?

Carla - Com 6 anos ganhei minha primeira raquete de presente do meu avô, que tinha uma academia em SP. Meu pai também jogava. O tênis já estava no DNA da família!

Laura - Conheci o esporte com meu irmão. Tudo que ele fazia eu também queria fazer. Era meu exemplo. Eu tinha 6 anos de idade e jogávamos juntos. Com ele também conheci o futebol e cheguei a bater bola, mas o amor pela raquete falou mais alto.

Preferem jogar simples ou duplas?

Carla - São modalidades muito diferentes, apesar de fazerem parte do mesmo esporte. Em simples, a premiação é bem maior. Mas o jogo de duplas é fundamental pra quem está começando, ganhou muita importância nos últimos anos e vem crescendo ainda mais. E o que muita gente não sabe é que são as duplas que colocam os profissionais nos grandes torneios, é como uma porta de entrada para a carreira.

Laura - Gosto das duas modalidades, mas hoje prefiro partidas de simples. 

carla3Carla Forte (Foto: João Pires)

Qual é o estilo de jogo de cada uma?

Carla - Nós duas somos agressivas, mas com estilos diferentes. Laura joga mais "flat', eu prefiro jogar com mais "top spin". Mas com o mesmo objetivo: sempre chegar na rede e ganhar o ponto lá na frente.

Laura - Sou mais agressiva, gosto de subir à rede e de um bom voleio, apesar de ultimamente acertar a bolinha mais no aro do que na corda (risos).

laura pigossiLaura Pigossi (Foto: Divulgação)

Sabemos que, para os homens, é mais fácil jogar tênis e se adaptar à rotina de viagens e das competições. Quais são as maiores dificuldades que uma mulher encontra para se tornar uma atleta?

Carla - Em qualquer esporte há muita diferença entre as categorias masculina e feminina. A mulher é mais sensível, dependente, confunde muito o pessoal com o profissional e por isso encontra mais dificuldade. Essa é uma briga que tenho comigo mesma e não é fácil superar. Nisso, as européias levam vantagem por serem mais frias. Nós, latinas, somos mais emocionais. Para os homens, tudo é mais simples. Conseguem separar melhor os dois lados. Os próprios treinadores já dizem que, pra treinar mulher, tem que nascer abençoado! 

Então, os seus treinadores Renato Messias, Orlando Rosa e Carla Tiene são abençoados? 

Laura - São! No início, achava o Renato muito exigente e, por isso, preferia estar com o Orlando. Mas com a rotina de viagens constantes e a convivência diária, acabei me acostumando com esse "jeitão" dele.

Carla - Cada um deles tem uma maneira de ensinar e dividir experiências. O Renato é mais sério e é quem dá o famoso "puxão de orelha". A Carla é mais sentimental, sempre nos dando "colo". Já o Orlando é mais brincalhão e levanta nosso astral. São perfis que se complementam e, por isso, muito importantes pra gente. Acreditamos muito no trabalho desse trio.

laura carla messiasCarla, Renato Messias e Laura (Foto: Messias Tennis)

Como é se dedicar ao esporte e, ao mesmo tempo, ver que ainda falta incentivo aos atletas no Brasil?

Laura - Nossa rotina é puxada. Treinamos muito todos os dias. Logo cedo já estamos na quadra. Se o objetivo é vencer e você luta muito pra isso, não é a falta de incentivo que te faz desistir do seu sonho. Hoje tenho o apoio e o patrocínio da Prince, da Asics e da Top Spin.

Carla - Hoje em dia, o incentivo ao tênis cresceu bastante, principalmente na categoria feminina. A quantidade de torneios nacionais e patrocinadores aumentou nos últimos 3 anos. A CBT (Confederação Brasileira de Tênis) está nos apoiando cada vez mais. Tivemos a Fed Cup aqui no Brasil no ano passado. Foi muito bom. Mas ainda está longe do ideal, como acontece nas grandes potências do esporte mundo afora.

Por falar nisso, o Brasil voltou ao calendário da WTA. Qual a importância de torneios grandes, como este, por aqui? 

Laura - Quanto mais torneios desse porte o Brasil puder sediar, melhor pro esporte e para os atletas. É importante para que as nossas juvenis vejam a diferença do nível de jogo entre as brasileiras e as européias. Lá elas estão jogando demais! Meninas de treze anos já enfrentando outras de dezoito. E aqui as de doze batendo bola com outras da mesma idade. Essa é a realidade, infelizmente.

Carla - É outro patamar de torneio. Aqui, a grande maioria está acostumada com futures e chalengers. Nós, que já tivemos a oportunidade de ir a Grand Slams, sabemos o quanto é diferente. A volta da WTA ao nosso país mostra como é a realidade do tênis mundial, para que as atletas brasileiras não se acostumem e nem fechem a cabeça para os pequenos torneios nacionais. É incrível para as atletas e também para aumentar a visibilidade do esporte na mídia em geral.

carladforteCarla Forte (Foto: Divulgação)

Nos bastidores da WTA rola um papo de que as jogadoras não são amigas, nem gostam de treinar juntas. É verdade?

Carla - Acontece, sim. Não estamos nesse esporte para fazer amizades. Mas, pode ser uma consequência. Você pode encontrar uma pessoa legal. É o meu caso e o da Laura. Treinamos juntas, viajamos juntas e isso acaba criando um ambiente melhor. Acho errado não se socializar. Isso atrapalha o lado profissional. Algumas jogadoras que poderiam compartilhar várias experiências e informações preferem se isolar. Aí voltamos naquele tema polêmico: mulheres! (rs)

Laura - Não vejo problema algum em duas tenistas treinarem juntas, desde que não se tornem melhores amigas. É um ambiente profissional e chega a um ponto em que a intimidade pode atrapalhar. Tem que saber administrar pra que essa relação ajude a ambos os lados.

E os gritos durante a partida? Acha que são necessários ou rola um exagero? Atrapalham a adversária?

Carla - É uma polêmica! A gente assiste à Victoria Azarenka e à Maria Sharapova e pensa: "é, elas exageram um pouco, sim!". Talvez pro público fique desconfortável, é o que dizem por aí. Mas, pra gente que está ali dentro da quadra é muito natural. Nós até conversamos sobre isso, de que os gritos são diferentes, de acordo com a bola que você bate: atacando ou se defendendo. Depende da intensidade que você imprime na jogada. E não atrapalham, não. No momento do jogo a concentração é tão grande que os gritos passam despercebidos.

Várias jogadoras entram em quadra superproduzidas com rímel, delineador, sombra e unhas enormes pintadas com a cor da roupa. Existe uma espécie de pressão para que, além de jogar bem, as tenistas se tornem ícones "fashion"?

Carla - Depende da vaidade de cada uma. É muito legal esse ritual de se arrumar, ter seu estilo e poder escolher até o elástico de cabelo que vai usar. O importante é não exagerar e usar isso a seu favor. É uma questão de imagem. O lado "fashion" é um dos charmes do tênis feminino. Isso é o que atrai o público e também o que o diferencia do tênis masculino. A gente não pode bater tão forte quanto eles, nem jogar por dez horas ou cinco sets. Mas podemos estar mais elegantes!

Laura - A gente é mais bonita do que eles! (risos)

pigossi2Laura Pigossi (Foto: Divulgação)

O que é mais importante dentro da quadra: conforto ou estilo? Dá pra juntar os dois?

Carla - Dá, sim! Hoje, com a tecnologia dos uniformes, é possível ficar bonita e estar confortável ao mesmo tempo. Não tem como se vestir fora dos padrões e nem se sentir desconfortável. Pra treinar, usamos shorts e camiseta, mas sempre arrumadinhas. Isso faz a gente se sentir melhor na quadra. Já num torneio optamos por saia, top, camisa pólo ou vestido. E sempre tem aquela peça especial que marcou algum momento e guardamos com carinho pra manter a superstição. Sim, tenista é muito supersticioso! Os homens também são cheios de manias, mas estão sempre de bermuda e camiseta, não importa a ocasião. Essa é a diferença entre o feminino e o masculino.

Laura - Victoria Azarenka inovou e usou shorts em vez de saia em alguns torneios, como o Australian Open 2012. Achei diferente, ela foi ousada, mas muita gente não gostou. Ela se sentiu confortável assim e deu certo: ganhou o primeiro Grand Slam do ano e da carreira!

E fora das quadras? Vocês são vaidosas também?

Laura - A gente adora uma maquiagem! 

Carla - E estar bem vestida também! A gente passa o dia inteiro de coque no cabelo, shorts e camiseta. Quando surge uma oportunidade de se arrumar e tirar a "fantasia" de tenista é muito bom!

Qual o momento mais marcante da carreira de vocês até agora?

Laura - Um jogo duríssimo num torneio na Bélgica, 7-6 no tie-break. Parecia que não ia acabar nunca! E no final veio aquela sensação de alívio: "Ufa, acabou!". 

Carla - A Copa Gerdau de 14 anos, que é o torneio mais importante da gira. Eu tinha uma rixa com uma boliviana e não conseguia ganhar dela. Mas, aqui no Brasil, eu venci na final! Foi muito emocionante! Geralmente, o que te marcam são as vitórias. Em segundo lugar, as lesões que sofremos inesperadamente e que fazem os atletas se afastarem do circuito por um tempo. Afinal, ninguém quer se machucar e parar.

Quais os seus tenistas preferidos?

Carla - Um ídolo não surge apenas pelo que faz na quadra, mas fora dela também. Por isso admiro Kim Clijsters, Roger Federer e Guga Kuerten, por tudo que fizeram até hoje.

 Laura - Entre os meus favoritos estão Victoria Azarenka, Justine Henin, Roger Federer e Novak Djokovic.

lauraazarenkaLaura, Victoria Azarenka e Renato Messias (Foto: Messias Tennis)

Como vocês se imaginam daqui a dez anos e até onde querem chegar?

Laura - Quero ser a número 1 do mundo! 

Carla - Que bom que você respondeu isso porque todo o sacrifício que a gente faz tem que ter um grande objetivo. Ninguém joga pra ser número 100 do mundo. Em toda profissão você tem que ser o melhor. 

Laura - Se você é top 20, seja o melhor. Se é número 2, seja o melhor. E se for o primeiro do ranking, também seja o melhor. Sempre queira ser melhor.

Qual conselho vocês dariam pra quem quer abraçar a carreira de tenista?

Laura - Não é fácil. Tem que querer muito! Você treina, treina, treina e perde, perde, perde. Garra, disciplina e determinação são fundamentais. O importante é não desistir.

Carla - Ser atleta é algo especial. Se tiver oportunidade, agarre! É difícil descrever em palavras as emoções que o tênis nos proporciona. Temos apenas 17 e 18 anos, mas metade das nossas vidas é feita desses momentos. É preciso estar disposto a pagar um preço e abrir mão de muitas coisas. Mas vale a pena! É incrível! É demais!

Laura Pigossi tem 18 anos e acaba de participar dos torneios ITF 50.000 de Johanesburgo e do ITF Sharm El Shake no Egito. Saiba mais sobre Laura Pigossi: http://pigossitenis.blogspot.com.br 

Carla Forte tem 19 anos e foi campeã do ITF de Antalya na Turquia. Saiba mais sobre Carla Forte: https://www.facebook.com/carla.forte.315 

Parabéns, Laura e Carla! O Tennis Report está sempre na torcida por vocês!

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