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A NOVA CARA DO BRASIL OPEN

brasilopenQuadra central do novo Brasil Open no Clube Pinheiros (Foto: Marcello Zambrana/Divulgação)

Por Ariana Brunello e Matheus Martins Fontes

Da imensidão do Ginásio do Ibirapuera à tradição de um dos clubes mais conceituados do país. A 16a edição do Brasil Open marca uma nova era para o torneio ATP 250 realizado desde 2001.

Pela terceira vez na história, o evento muda de sede e agora será disputado, pelo menos por mais duas temporadas, nas quadras de saibro do Esporte Clube Pinheiros. Ao todo são 24 quadras à disposição dos sócios, o que dá ao clube o título de maior expoente do tênis em todo o País.

Mas, antes de falarmos do Pinheiros, vamos fazer um breve resumo das primeiras experiências do Brasil Open em São Paulo. O Tennis Report também explica por que o torneio resolveu trocar de sede mais uma vez. Confira!

CHEGADA À SÃO PAULO

Após 11 anos na charmosa Costa do Sauípe, o Brasil Open parecia estar à procura de novos ares. As praias ensolaradas e o carnaval baiano eram muito atrativos, sim, porém faltava o essencial para qualquer evento: o público. Então a organização pensou em um lugar mais “urbano” para o tênis e São Paulo passou a ser a casa do torneio a partir de 2012.

A mudança foi um sucesso ao longo daqueles nove dias de fevereiro. Com ingressos mais acessíveis e o Ginásio do Ibirapuera na manga, o torneio trouxe os fãs a praticamente todos os jogos, de dia ou de noite. O que se viu foi o público acompanhando integralmente partidas de alto nível. Nomes como Juan Carlos Ferrero, Fernando Gonzalez, David Nalbandian, Gilles Simon e Fernando Verdasco, entre outros, estiveram em São Paulo. Foi possível torcer de perto por Thomaz Bellucci, pela primeira vez jogando uma grande competição em seu Estado.

O saldo da edição conquistada por Nicolás Almagro foi o melhor possível, afinal todo mundo gosta de uma “novidade”. No ano seguinte, a organização certamente teria que apostar mais alto para atrair novamente os fãs ao Ibirapuera. Então, trazer Rafael Nadal foi a decisão mais acertada.

Foi o segundo torneio de Rafa após se recuperar de dores no joelho. Mesmo longe de sua forma ideal, o espanhol conseguiu levantar o troféu e lotou o Ibirapuera. Até as escadas viraram assentos. A sensação era de que não cabia mais nenhuma pessoa dentro do ginásio, desde seu primeiro jogo, ainda pela chave de duplas, até a decisão contra David Nalbandian.

Brasil OpenPartida noturna na quadra central do novo Brasil Open (Foto: Marcello Zambrana/Divulgação)

Apesar de ser um sucesso de público, a estrutura do torneio deixou muito a desejar. A falta de assentos numerados, a má qualidade das quadras e das dependências do ginásio, e até as bolas renderam reclamações de Nadal e companhia. Por isso 2014 marcou uma edição em que o principal objetivo do Brasil Open era recuperar a imagem de um torneio ATP 250 bem organizado.

O veterano Tommy Haas foi então a grande aposta, pois os demais personagens eram já cartas marcadas do público paulistano. Para atrapalhar ainda mais, o evento vinha em uma data “traiçoeira”, pois dividia as atenções com dois torneios da série ATP 500.

Haas não passou da semifinal, com problemas no ombro diante do italiano Paolo Lorenzi. Numa chave em que os principais cabeças caíram cedo, era a chance de Bellucci se consagrar em solo nacional. Porém ninguém avisou Federico Delbonis, que calou a torcida e praticamente esvaziou a final de domingo. Poucas pessoas testemunharam o título do argentino, e o enorme vazio no Ibirapuera se tornou a grande preocupação nos anos seguintes.

Em 2015, a organização mais uma vez teve dificuldades em trazer nomes de peso, mesmo acontecendo em uma data mais favorável (Buenos Aires acabou ficando na companhia dos fortíssimos 500 de Dubai e Acapulco). Feliciano López fazia parte da Armada Espanhola, é verdade, mas ainda não tinha vindo a São Paulo, nem se encaixava nas características de um típico jogador ibérico. Era um jogador interessante para se observar, mas poucos dias antes do torneio desistiu por contusão.

O Ibirapuera, que já estava bem acanhado na edição anterior, ficou ainda mais vazio. O jeito foi se apoiar em uma “prata da casa”, mas Bellucci caiu logo na estreia. João Souza, o Feijão, tornou-se a esperança por seu jogo afiado e confiante, isso sem falar do poder de inflamar a torcida brasileira. Chegou às semifinais e por pouco não disputou a primeira final de ATP da carreira. O campeão foi o uruguaio Pablo Cuevas em final sobre o desconhecido Luca Vanni. A decisão novamente foi vazia em comparação com as duas primeiras experiências na capital.

ADEUS, IBIRAPUERA

Com a crise assolando de vez o País, a consequente alta do dólar e novamente a data colocando o torneio na companhia de Dubai e Acapulco, o Brasil Open deixou o Ibirapuera e desembarcou nas centenárias quadras do Esporte Clube Pinheiros. Com 117 anos de tradição em vários esportes, o local “deu ao torneio uma nova cara”, segundo as palavras do diretor do evento, Roberto Marcher.

brasil open PinheirosEsporte Clube Pinheiros, em São Paulo (Foto: Divulgação)

“O Ibirapuera foi um sucesso. Começamos em 2012, tivemos casa cheia duas vezes, com problemas ou não, e depois vimos as coisas baixando. Chegou uma hora que a gente disse: ‘Vamos, em primeiro lugar, tratar dos jogadores, que se sentiam muito melhor aqui’. Eles não gostam de jogar em um lugar que não tenha tradição de tênis. Vide o exemplo do ATP de Buenos Aires, disputado no Buenos Aires Lawn Tennis Club (BALTC) e é um sucesso. Então, que aqui seja um clube. Decidimos usar o Pinheiros, que tem quadra sólida, os jogadores vibram com a atmosfera e é lindo”contou Marcher em entrevista ao Tennis Report e ao jornalista Alexandre Cossenza.

Antes de receber o ATP mais antigo do Brasil, o Pinheiros já tinha experiência na arte de sediar grandes eventos de tênis. Foram duelos de Copa Davis, incluindo a semifinal histórica em 1971 contra a Romênia de Ilie Nastase, duas edições do ATP Challenger Tour Finals (2014 e 2015) e também o Banana Bowl, um dos torneios juvenis mais importantes do mundo.

Assim, os sócios puderam acompanhar de perto alguns ídolos como John McEnroe, Thomaz Koch, Andy Roddick, entre outros, e o aparecimento de talentos nas dependências do clube foi natural. Nomes como Fernando Meligeni, Otávio Della, Thiago Alves, Ingrid Metzner e Dácio Campos defenderam as cores do Pinheiros em competições pelo mundo afora.

Saiba mais sobre o Clube Pinheiros: www.ecp.org.br

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