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Fica a Dica!

livro meligeni 2-2Pré-lançamento de "6/0 Dicas do Fino" no Brasil Open (Foto: Leandro Martins/DGW Comunicação)

Três títulos de ATP em simples (Bastad, Pinehurst e Praga), sete nas duplas (Santiago, Estoril, Bologna, Stuttgart, Bogotá, Gstaad e Casablanca), semifinalista de Roland Garros, medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, além de inesquecíveis vitórias sobre Pete Sampras, David Nalbandian, Carlos Moya, Andy Roddick, Marcelo Rios. Grandes histórias para contar, muita experiência para compartilhar.

Memórias inesquecíveis da carreira ele já dividiu com os fãs em seu primeiro livro “Aqui tem! – Vitórias e Memórias de Fernando Meligeni”. Oito anos depois, é a vez de passar dicas valiosas sobre a arte de jogar tênis a todos os amantes do esporte: desde os jogadores de fim de semana até os que sonham com uma carreira profissional.

Em “6/0 Dicas do Fino”, Meligeni aliou a experiência adquirida após anos de circuito com a informação necessária e tão pouco divulgada entre os profissionais da área. São 288 páginas que trazem sessenta conselhos baseados em momentos vividos, ao longo dos anos, por um dos maiores tenistas do país. Fininho bateu um papo com o Tennis Report durante o pré-lançamento do livro no Brasil Open e falou sobre o atual momento do tênis brasileiro, a mudança do torneio e o carinho dos fãs. Confira!

Tennis Report  - Como surgiu a ideia de repassar suas experiências em um livro?
FERNANDO MELIGENI – Sempre gostei de informação e falta muita informação no tênis brasileiro. Nas livrarias tem pouca coisa sobre tênis, só biografias. Não há muita troca entre técnicos e os próprios jogadores. Isso começou a me incomodar. Foi quando botei algumas dicas no Facebook e vi que a galera enlouquecia, sempre querendo saber mais. Um dia conversei com Henrique Farinha, editor da Évora, que é pai de tenista. Ele me falou: “você já tem um livro, é a sua opinião que você vai poder passar pra garotada”. Mas eu não via isso como algo comercial e sim como informação.

TR - Quais os objetivos das dicas e para quem elas são indicadas?
FERNANDO MELIGENI – Elas são tipo um “segundo médico”, uma segunda opinião. Não tenho a pretensão de falar o que é certo ou errado. Muitas dicas vão até criar um certo desconforto entre técnicos e jogadores. Mas a idéia é mostrar a minha opinião. Não é algo do tipo “faça o que o Fernando está falando” e sim “escute o que ele está falando, dê uma digerida nisso, converse com seu técnico, seu professor, entenda aonde ele quer chegar e, a partir daí, jogue tênis. Preciso deixar muito claro: não existe uma receita de bolo. Você vai lá e faz da sua maneira. Mas quanto mais informação você tiver, melhor. E é isso que tento passar no livro: o porquê de jogar tênis, a parte técnica, o lado mental e estratégico, que eu adoro e era como eu jogava. Por isso acho que as dicas podem ajudar desde quem está começando a jogar até o garotão que está em transição do juvenil para o profissional, meio perdidão.

novo-livro-fino"6/0 Dicas do Fino" (Foto: Divulgação)

TR - Como você vê o tênis brasileiro hoje, principalmente neste momento em que temos uma bela e grata surpresa despontando no circuito, o Thiago Monteiro?
FERNANDO MELIGENI – Minha visão sobre o tênis é muito mais macro. Às vezes as pessoas ficam falando que eu dou porrada, que sou pessimista, mas não consigo me alegrar com apenas uma grande vitória do Thiago. A gente mora num país gigantesco, onde muita gente joga tênis, por isso deveríamos fomentar um Thiago Monteiro por semana. É claro que ganhar de um Tsonga e de um Almagro é duríssimo, mas deveríamos ter alegrias com o tênis toda semana. E a gente não tem. São casos esporádicos. E isso se deve pela falta de gestão. O esporte brasileiro não tem gestão, mesmo. É “vamos lá, vai dar certo, é isso aí” e bota pressão no garoto. Tenho sobrinhos que jogam juvenil, em começo de profissional, converso com pais de tenistas e o livro me aproximou muito deles. Então consigo entender qual é o “tendão de Aquiles” do tênis brasileiro: ninguém tem dinheiro pra manter um garoto no circuito por 30 semanas ou aguentar 5 anos na transição para jogar profissional. Precisamos fazer alguma coisa, senão é o que acontece: ganha future aqui, ali e na hora de sair não tem dinheiro. Ou fica no Brasil, não treina com os jogadores que deveria treinar, não tem motivação, começa a cair, é criticado, para de jogar. Então, o tênis brasileiro continua sendo basicamente o mesmo tênis de quando eu jogava juvenil. Não vejo uma grande diferença. Existem ótimas ações, mas é preciso muito mais dinheiro. Temos que fazer melhor. Eu como comentarista tenho que fazer melhor. Você como jornalista, tem que fazer melhor. Quem está gerindo o tênis, tem que fazer melhor.

TR - Você acaba de lançar seu livro em um novo Brasil Open. O que você achou dessa mudança do Ginásio do Ibirapuera para o Clube Pinheiros?
FERNANDO MELIGENI  – Com todo respeito, mas o Ibirapuera não comporta o torneio Brasil Open. A Costa do Sauipe era um lugar legal, mas muito mais para os convidados e o público, pois era preciso convidar a imprensa, já que era muito longe. No Ibirapuera era muito mais pra fugir da chuva. Imprensa, público, jogadores, ninguém se sentia à vontade lá. Então, era o lugar errado. O Pinheiros é um clube maravilhoso, de tradição, de onde sairam muitos tenistas - eu mesmo passei por aqui - e também grandes treinadores, e mostra o dia-a-dia do esporte, até mesmo em um dia de chuva. É grande a quantidade de público, da imprensa e estamos no centro de São Paulo. Foi um acerto. O torneio tem tudo para ser um grande sucesso aqui.

TR - Quando você chegou à Vila do Tênis foi um verdadeiro alvoroço. Era tanta gente que foi difícil até conseguir caminhar pelas alamedas. Como é sentir todo esse amor e carinho dos fãs, após tantos anos longe das quadras?
FERNANDO MELIGENI – É a coisa mais gratificante, sem dúvida. Às vezes a gente para e pensa na carreira que a gente teve, nos resultados, nas vitórias. Isso é algo maravilhoso que guardamos com muito carinho. Mas, depois de treze anos desde que parei de jogar, as gerações estão se renovando. Ver garotos de oito anos de idade que não me viram jogar, mas que o pai falou pra ele que eu era um cara legal é muito gratificante. Aprendi com a minha família que não adianta ser um grande jogador se você não for uma grande pessoa. Acho que um ídolo é uma junção disso. Quem me conhece sabe que eu sou exatamente esse mesmo cara no dia a dia, não existe uma máscara. Então eu tento me doar para as pessoas também, parar e tirar uma foto, dar um autógrafo, conversar, pois são pessoas que torceram por mim, que me assistem pela televisão, que pagaram ingressos para me ver jogar na Copa Davis. Tento ganhar esse tempo e entrar na vida das pessoas. Eu adoro!

livro meligeni-2Meligeni recebe os fãs no Brasil Open (Foto: Leandro Martins/DGW Comunicação)

Se você está em São Paulo e perdeu a primeira sessão de autógrafos, não se preocupe. Ainda dá tempo de adquirir em primeira mão, por R$ 54,90, o livro "6/0 Dicas do Fino". Nesta sexta-feira, 26 de fevereiro, Meligeni vai receber os fãs mais uma vez, a partir das 19h30, no estande da FILA no Brasil Open. Para quem não está em São Paulo, o lançamento geral acontece no dia 1º de março.

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