Menu

Guga Kuerten, orgulho do Brasil

 DSCN4372Campanha Heritage da ATP

A Associação dos Tenistas Profissionais lançou, em fevereiro, a campanha "ATP Heritage", em comemoração aos 40 anos do ranking da entidade. Todas as conquistas dos maiores jogadores do mundo agora serão exibidas e relembradas em vários lugares do mundo.

Pra celebrar esses momentos únicos na história do tênis, muitos eventos serão realizados durante toda a temporada de 2013. Um deles foi o lançamento do livro “No. 1”, que traz fotos e entrevistas exclusivas com os 16 jogadores que terminaram o ano na primeira posição do ranking. Uma festa em Nova York vai reunir o seleto grupo de campeões durante o US Open, em agosto.

Por aqui a campanha foi lançada oficialmente no prédio histórico dos Correios, no centro de São Paulo, com uma bela homenagem a Gustavo Kuerten, tricampeão de Roland Garros e único jogador da América do Sul que finalizou uma temporada como o melhor do mundo.

DSCN4388

Guga permaneceu no topo do ranking por 43 semanas no ano 2000 e destaca seu maior momento como número 1: quando venceu Andre Agassi no torneio de Lisboa e alcançou a tão sonhada liderança.

O brasileiro hoje faz parte de um seleto grupo de jogadores como John McEnroe, Bjorn Borg, Jimmy Connors, Ilie Nastase, Andy Roddick, Lleyton Hewitt, Andre Agassi, Jim Courier, Stefan Edberg, Mats Wilander, Ivan Lendl, Pete Sampras, Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. "Sou um peixe fora d'água nessa turma aí. Mas, como gosto de água e areia, tudo bem...(rs)", brincou o "Manezinho da Ilha".

Durante o evento, Guga recebeu um quadro das mãos de André Silva, Chief Player Officer da ATP, e também uma cartela de selos comemorativos criados exclusivamente pelos Correios em sua homenagem.

 seloquadro

Thomas Koch, Carlos Kirmayr, Fernando Meligeni, Fabio Silberberg e outras personalidades do esporte também marcaram presença no evento.

DSCN4386

DSCN4381 

DSCN4411

Com a simpatia e o carisma de sempre, Guga conversou com o Tennis Report logo após a cerimônia. Um papo sobre a carreira, o ATP 500 no Rio de Janeiro, o quadril, uma possível volta às quadras, o videogame de Novak Djokovic e como é sua mais nova função: ser pai. Confira!

O que representa pra você fazer parte da história da ATP?

Guga – É a minha vida, é tudo! Porque o tênis chegou de uma maneira e se transformou numa paixão! Meus desafios, minhas relações com as pessoas, as experiências que eu tive. Hoje isso tudo é um símbolo do que eu sou, nessa alegria que eu encontrei de me manifestar através do tênis e ter conquistas e vitórias na minha carreira. Só coisas positivas e boas que eu acabo transmitindo da melhor forma, do jeito que eu sou.

Você disse na coletiva que foi um privilégio chegar em Roland Garros como cabeça-de-chave número 1 e defender o título. Foi difícil lidar com essa pressão de se manter no topo do ranking?

Guga – Sempre foi algo positivo pra mim, um estímulo, porque me fazia jogar melhor. Eu olhava mais por esse lado. O que me ajudava é que a pretensão de ser número 1 era algo muito acima do que eu imaginava. Não havia muita cobrança. Cada um tem a sua história, mas confesso que me manter no topo do ranking foi muito mais tranquilo do que chegar lá. Claro que não dá pra ser o número 1 pra sempre, uma hora você sai. Eu titubeei por 3 meses pra alcançar isso e depois que estive ali, já que me deixaram entrar pensei: “agora vamos ficar o máximo que der”, mas de uma forma bem natural, como tudo aconteceu na minha carreira.

O Brasil sediará o primeiro ATP 500 da história, em fevereiro de 2014 no Rio de Janeiro. Como você avalia o cenário do tênis no país, principalmente de uns anos pra cá, já que o número de torneios por aqui aumentou e o número de praticantes do esporte também?

Guga – Infelizmente continua do mesmo jeito, como antes dos meus títulos em Roland Garros e a minha trajetória. Não conseguimos ainda evoluir a um novo estágio, aproveitando a situação e criando uma realidade diferente. Acho que esse é o desafio e essa dificuldade serve de estímulo. Eu, particularmente, estou muito envolvido. Iniciei há alguns anos esse projeto da escolinha, realizo torneios juvenis. Acho que 60% das minhas atividades e do meu tempo eu gasto tentando fazer com que o tênis brasileiro melhore e seja mais acessível aos jovens para que se tornem profissionais. Mas ainda tem muita estrada pra percorrer, um horizonte grande pra andar.

Há poucos dias o Brasil deixou de ter tenistas no Top 100. Em compensação, a Teliana Pereira acaba de entrar no ranking das cem melhores, após 23 anos. Como você analisa essa mudança?

Guga – São momentos pontuais que eu considero pouco ainda. Depende de um jogador ou outro. Há 23 anos que não tínhamos uma tenista entre as cem. É lindo, maravilhoso, principalmente a Teliana que é uma batalhadora, está indo atrás e surpreendendo com os resultados. Mas acho que ainda é pouco pro Brasil. Temos condição de ter umas cinco meninas ali entre as cem. Claro que não com a realidade atual, mas é possível criar este cenário. E no masculino da mesma forma. O Thomaz estava ali, mas se machucou, saiu e ainda pode voltar. Acho que se repete o que aconteceu antes: falta tirar proveito da “alavancada” que tivemos em 97 e manter a consistência e o volume de jogadores. Acho que ainda é um objetivo bem distante de alcançar.

Recentemente você passou pela terceira cirurgia no quadril. Como você se sente hoje?

Guga – Me sinto bem, estou feliz porque estou me recuperando até muito rápido. Já estou levando uma vida normal no dia-dia, com mais força e até o músculo no glúteo, aqui na “bunda”, está aparecendo depois de 12 anos (rs)! Mas ainda tenho muitos movimentos ruins, a musculatura me ajudou mas ao mesmo tempo dificulta porque é muito inteligente e quer fazer atalhos que me prejudicam. Continua sendo um desafio. Minha pretensão ainda é poder participar de partidas-exibição, me condicionar pra saborear esses momentos dentro da quadra. Acho que ano que vem vai ser possível incomodar pelas quadras um pouquinho (rs).

Já dá pra pensar em um retorno às quadras, talvez pra jogar duplas, como fez a Martina Hingis?

Guga – Atualmente não (rs)! Acho que vou judiar demais do meu quadril, mas quem sabe, né? Vamos ver. Uma semaninha, de repente a gente bate uma bolinha aí...

Na biografia de Novak Djokovic lançada há pouco tempo aqui no Brasil, o número 1 do mundo revela que, nos tempos de juvenil, seu passatempo preferido era jogar videogame e que fazia questão de ser o “Guga” nas partidas virtuais. O que você achou dessa escolha? Você considera essa uma das suas heranças no tênis?

Guga – Eu ainda não consegui enxergar isso muito bem. Acho que vai levar um tempo ainda. Essa abrangência que a minha carreira teve é algo que, ao longo dos anos, eu vou entendendo melhor. Na minha infância era a mesma coisa. A gente jogava pingue-pongue e fazia uma chave de Wimbledon, eu escolhia o McEnroe, depois já pegava o Boris Becker. Nosso sonho era esse. Não tinha videogame, a gente sacava e voleava no pingue-pongue. É um lado imaginário que nessa época é fundamental. É lindo isso. E é tão grandioso que ainda não deu pra entender o fato de um super atleta, um gênio do tênis ter essa referência. Até consigo entender de uma criança no dia-dia, mas a escutar dele é grande demais! Vai demorar uns bons anos ainda pra eu conseguir entender tudo isso.

Dia dos Pais está chegando e todos sabem da sua estreita relação com Larri Passos, que é praticamente um segundo pai pra você e sempre foi fundamental em sua carreira. Hoje você também é pai: da Maria Augusta e do Luis Felipe que acabou de nascer. Teremos dois novos tenistas representando o Brasil no futuro?

Guga – Se depender do pai, vou incentivar. Acho que o tênis é uma plataforma extraordinária, a convenção do tênis é linda e a convivência espetacular. Sou suspeito pra falar (rs). Ainda mais porque meu filho nasceu no Dia do Tenista! Até isso ele já me aprontou! Mas vou tentar introduzir o esporte na vida deles de alguma forma. Hoje é fundamental e necessário pra criança estar em atividade, com estímulos diferentes. E se escolherem o tênis, melhor! Mas, confesso que adoraria também se o Luis Felipe escolhesse o basquete porque meu pai foi jogador de basquete. Aprecio muito o esporte e ia gostar de vê-lo nas quadras.

Veja também a entrevista em vídeo:

voltar ao topo